Ex-chefe da Receita expulso por caso das joias sauditas vai recorrer

Decisão impede Julio Cesar Vieira Gomes de ocupar cargos públicos federais por cinco anos

Larissa Rodrigues, Teo Cury, da CNN Brasil*, São Paulo
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O ex-secretário da Receita Federal Júlio Cesar Vieira Gomes, expulso do serviço público por ser investigado na tentativa de liberação de joias sauditas dadas de presente a Jair Bolsonaro (PL), afirmou à CNN que vai recorrer da decisão.

Vieira Gomes está impedido de ocupar cargos públicos federais por cinco anos.

O ex-chefe da Receita pretende acionar a Justiça contra a decisão da CGU (Controladoria-Geral da União) tomada no dia 25 de novembro e formalizada na manhã desta segunda-feira (1º) no Diário Oficial da União.

O ex-chefe da Receita pretende acionar a Justiça contra a decisão da CGU (Controladoria-Geral da União) tomada no dia 25 de novembro e formalizada na manhã desta segunda-feira (1º) no Diário Oficial da União.

A expulsão da carreira está fundamentada em um parecer da consultoria jurídica do ministério e em um relatório da comissão de processo disciplinar que apurou a conduta do ex-secretário nos últimos anos.

As infrações cometidas pelo ex-secretário envolvem “valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública”.

Ainda segundo a CGU, o ex-chefe da Receita também descumpriu deveres funcionais, como ser leal à instituição a que servia e observar as normas legais e regulamentares dela.

Em julho, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República absolveu o ex-secretário e aplicou sanção ao ex-ministro de Minas e Energia de Bolsonaro, Bento Albuquerque.

Conforme mostrou a CNN, na última semana do governo Bolsonaro, entre os dias 27 e 29 de dezembro, auditores fiscais da Receita Federal em São Paulo barraram uma suposta tentativa de Vieira Gomes para liberar as joias trazidas da Arábia Saudita e apreendidas no aeroporto de Guarulhos (SP).

Em depoimento à Polícia Federal em abril de 2024, o ex-secretário afirmou ter pedido a incorporação do estojo de joias apreendido no aeroporto de Guarulhos por acreditar que os objetos já pertenciam à União e ficaram no acervo da Presidência da República.

“Juridicamente, era impossível que os bens passassem ao domínio privado do ex-presidente Bolsonaro. Portanto, por impossibilidade jurídica, do ponto de vista técnico, não subsiste qualquer possibilidade de se considerar que, por incorporação, pudessem ser transferidos a propriedade particular ou que se atendesse a algum interesse privado, de quem quer que fosse”, afirmou.