Ex-ministros da Educação discutem declarações de Weintraub e adiamento do Enem

Atual ministro é investigado por suposto racismo contra chineses

Da CNN

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Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (4) o deputado federal Mendonça Filho (DEM-PE), ministro da Educação no governo de Michel Temer (MDB), e o ex-senador Cristoavam Buarque (Cidadania-DF), que chefiou a pasta no governo Lula (PT) avaliaram as manifestações do atual ministro Abraham Weintraub e a condução das políticas da área. Weintraub é investigado por supostas declarações racistas e preconceituosas contra o povo chines. 

“Qualquer tipo de racismo é abominável e inaceitável. Enquanto ministro da Educação, nossa prática sempre envolveu o diálogo, o respeito às diferenças”, disse Mendonça Filho, que ressaltou que não faz uma “avaliacao de caráter pessoal em relação ao atual ministro”. “A minha avaliação é mas conceitual”, disse.

Buarque concordou e afirmou que toda declaração racista é grave, mas vinda de um ministro da Educação é gravíssima. “Muito triste como brasileiro ver um ministro que não apenas fez uma declaração absurda, mas não tem a preocupação de cuidar da educação para que toda criança estude em uma boa escola e que passe a mensagem da tolerância, da aceitação das pessoas como elas são conforme a raça, o credo e a opção sexual”.

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Os ex-ministros também falaram sobre o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) devido à pandemia do novo coronavírus. “Desde o primeiro momento quando se estabeleceu um debate envolvendo a prorrogação ou não do calendário do Enem eu defendi a prorrogação”, disse Mendonça Filho. “Eu entendo que é uma necessidade [porque] afetou a vida escolar e educacional de todos os jovens e crianças do Brasil, e os mais prejudicados são justamente os mais pobres”, afirmou. 

Buarque, que também defendeu a prorrogação do Enem, pontuou que isso não resolverá o “problema maior”. “O problema é que 12 milhões são analfabetos adultos, 40% apenas terminam o ensino médio e desses, no máximo a metade, pensa em fazer o Enem, pois nem sonha com isso”, disse. “Nossa desigualdade não é causada pelo vírus, e sim por uma estrutura que abandonou a ideia de que o filho do pobre deve ter uma escola tão boa quanto o filho do rico”, concluiu.

(Edição: Leonardo Lellis)

 

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