Ex-presidentes e parlamentares de 26 países alertam para risco ‘insurreição’ no Brasil

Signatários da carta mencionam atos previstos para 7 de Setembro e dizem que o 'povo brasileiro tem lutado por décadas para proteger a democracia de um regime militar'

O presidente Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro Marcelo Camargo/Agência Brasil

Rafaela LaraBasília Rodriguesda CNN

em Brasíia

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Uma carta assinada por ex-presidentes, parlamentares e estudiosos afirma que os atos convocados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para o dia 7 de Setembro representam uma “insurreição” e ameaçam a democracia no Brasil. O documento, divulgado nesta segunda-feira (6), revela que diversos países estão com os olhares voltados ao Brasil e deixa claro que a comunidade internacional não vai tolerar rupturas democráticas.

Na última sexta-feira (3), a embaixada dos Estados Unido no Brasil alertou aos cidadãos americanos sobre o risco de confrontos durante os protestos programados para esta terça-feira (7). Agora, os demais países – incluindo os EUA – alertam para a “marcha nacional” de Bolsonaro e seus aliados e revelam temores de “um golpe na terceira maior democracia do mundo”.

“O presidente Jair Bolsonaro e seus aliados – incluindo grupos supremacistas, policiais militares e servidores públicos em todos os níveis do governo – estão preparando uma marcha nacional contra a Suprema Corte e o Congresso em 7 de setembro, alimentando temores de um golpe na terceira maior democracia do mundo”, afirmam.

A carta é assinada pelo ex-primeiro-ministro da Espanha José Luis Rodriguez Zapatero, pelo ex-presidente da Colômbia Ernesto Samper, e pelo ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo, além de Noam Chomsky, do filósofo e professor, Cornel West, do vencedor do prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, e de políticos europeus.

Congressistas americanos e brasileiros, como o petista Arlindo Chinaglia, também estão entre os signatários, além de deputados suíços, alemães, colombianos, peruanos, argentinos, uruguaios entre outros.

Os signatários ainda remontam a escalada dos ataques de Bolsonaro contra instituições democráticas nas últimas semanas e mencionam o desfile militar inédito, realizado em 10 de agosto, em Brasília.

“Bolsonaro e seu governo tem ameaçado – diversas vezes – cancelar as eleições presidenciais de 2022 se o Congresso não aprovar seus reformas”, diz a carta. O documento ainda revela que congressistas brasileiros já alertam que as mobilizações para o 7 de Setembro tem sido feita nos moldes nos moldes da invasão ao Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021.

“Estamos seriamente preocupados com a ameaça às instituições democráticas do Brasil – e estamos vigilantes para defendê-las antes e depois de 7 de setembro. O povo brasileiro tem lutado por décadas para proteger a democracia de um regime militar. Bolsonaro não deve ter permissão para roubá-la agora”, finaliza o texto.

Entre os signatários brasileiros, está o ex-ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim.

Em entrevista à analista política da CNN Basília Rodrigues, o ex-chanceler afirmou que está “muito preocupado”. “Vejo situação parecida com o Capitólio. Naquela ocasião, no entanto, Mike Pence, que estava presidindo, tinha para quem ligar. Ligaram para o Pentágono. Aqui não vejo isso, não vejo para quem recorrer”, disse.

Amorim critica o tom dos discursos do governo e enfatiza que “o mundo inteiro está preocupado”. “Espero estar enganado. Se houver uma ameaça real de golpe, que possam conter os arruaceiros. Nunca vi essa intimidação ao Supremo Tribunal Federal. Algo muito grave. Tenho 60 anos de vida dedicada à política externa. Tenho preocupação com os jovens, tenho filhos, tenho netos. O país está desmilinguido”, comentou.

Os atos de 7 de Setembro ganharam repercussão internacional, inclusive na imprensa estrangeira. O presidente Jair Bolsonaro vai se reunir com os ministros da Justiça, Anderson Torres, e do Itamaraty, Carlos França, nesta segunda para falar das manifestações.

Procuradas pela CNN Brasil, as duas pastas não quiseram comentar o assunto.

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