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    Fatos Primeiro: Ciro Gomes exagera em números sobre desemprego e informalidade

    Pré-candidato erra a proporção dos desempregados e trabalhadores informais, mas acerta sobre alta da inflação

    Homem mostra carteira de trabalho ao procurar emprego no centro de São Paulo
    Homem mostra carteira de trabalho ao procurar emprego no centro de São Paulo REUTERS/Amanda Perobelli

    Gabriela GhiraldelliSalma Freuada CNN

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    O pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, disse durante a Marcha dos Vereadores, em abril, que 70% dos brasileiros estão desempregados ou têm um trabalho informal. De acordo com dados do IBGE, a afirmação não é verdadeira.

    Na verdade, o número de desempregados e informais equivale a 50% dos brasileiros economicamente ativos.

    Durante o evento, o pedetista ainda afirmou que o país não cresceu nos últimos 11 anos e que a inflação é a maior em duas décadas.

    De fato, a alta nos preços é a maior nos últimos 19 anos. Mas, ao contrário do que diz Ciro, o PIB brasileiro cresceu nos últimos 11 anos, ainda que em uma proporção abaixo das expectativas.

    O que Ciro disse:

    A política brasileira está fracassando de uma forma absolutamente grave porque nós temos hoje 11 anos de Instabilidade econômica, nasceram 22 milhões de brasileiros sem o país crescer nada. Isso significa que o bocado que já era pouco está cada vez mais disputado e na prática nós temos hoje é ter desemprego aberto e informalidade 70 de cada 100 brasileiros. Nunca vi isso na história. A inflação é a maior em 20 anos.

    Ciro Gomes, Marcha dos Vereadores, Brasília, 27 de abril de 2022.

    Crescimento econômico

    Na última década, o PIB brasileiro registrou o pior desempenho na série histórica iniciada em 1901 pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Apesar do resultado abaixo das expectativas, ao contrário do que afirmou o candidato à presidência, o país cresceu – um acumulado total de 2,7% nos últimos dez anos.

    O artigo “Década cada vez mais perdida na economia brasileira e comparações internacionais”, publicado em julho de 2020 pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que, de 2014 a 2016, o Brasil passou por uma profunda recessão.

    O estudo, de autoria do economista da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), Marcel Balassiano, revela que “os últimos sete anos foram desastrosos do ponto de vista de crescimento econômico, pelo somatório dos três fatores (forte recessão, recuperação lenta e gradual e coronavírus)”.

    Ainda de acordo com o artigo, o começo da “década perdida” teve início entre 2011 e 2013, quando o país apresentava uma taxa média de crescimento de 3% ao ano. A partir de 2014 a economia entrou em um processo de enfraquecimento que perdura até os dias de hoje.

    Desemprego e informalidade

    Ciro Gomes exagera ao dizer que a informalidade e o desemprego atingem 70% dos brasileiros.

    O IBGE considera informais os trabalhadores sem carteira assinada, pessoas que trabalham por conta própria sem CNPJ e aqueles que trabalham auxiliando a família.

    Para o instituto, os desempregados são os que estão em idade para trabalhar (mais de 14 anos), estão disponíveis no mercado e tentam encontrar trabalho. O conceito exclui as pessoas que estão fora da força de trabalho: que têm mais de 14 anos, mas desistiram de procurar emprego.

    Luccas Saqueto, economista da GO Associados, alerta que o cálculo feito pelo presidenciável é incorreto.

    “Do ponto de vista técnico, você não pode considerar ‘desempregadas’ as pessoas que o IBGE diz que estão ‘fora da força de trabalho’, portanto, o dado que ele falou não é o real sobre o mercado de trabalho”, disse à CNN.

    Saqueto afirma que, para fazer o cálculo, deve-se levar em consideração a metodologia do IBGE.

    Em 2016, o país tinha 11,9 milhões de desempregados e 34,8 milhões de trabalhadores informais – ano em que o IBGE mudou a metodologia e incluiu trabalhadores sem CNPJ.

    No ano passado, o Brasil chegou a aproximadamente 13,9 milhões de desempregados – o maior número já registrado desde 2012, quando se iniciou a série histórica – e 36,6 milhões de trabalhadores informais.

    De acordo com dados mais recentes da Pnad Contínua trimestral do IBGE, de abril de 2022, 107,861 milhões de pessoas fazem parte da força de trabalho no Brasil. Destas, 11,349 milhões estão desempregadas e 41,232 milhões trabalham informalmente.

    Ao somar o número de informais com o número de desempregados, chega-se a 51,581 milhões de pessoas. Pode-se afirmar, então, que 48,75% das pessoas na força de trabalho estão informais ou desempregadas ou 48 a cada 100.

    Segundo Saqueto, para chegar à taxa de 70% de informais e desempregados, Ciro Gomes somou o número de desempregados estipulado pelo IBGE com o número de pessoas com mais de 14 anos que não estão procurando emprego para fazer o cálculo.

    Inflação e aumento de preços

    A inflação – definida como aumento generalizado de preços – é mais um indicador da economia brasileira. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é o índice oficial de inflação do país.

    O presidenciável acerta ao dizer que o aumento generalizado de preços é o maior em 20 anos. Na época do discurso, o acumulado de 12 meses, registrado em março, não tinha índices tão altos desde 2003. O número ficou em 11,3%, enquanto em 2003 o acumulado chegou a 16,57%. Isso mostra que há 19 anos o país não registrava uma taxa inflacionária tão elevada para o período.

    Já a inflação de março, chegou a 1,62%. Esse é o maior percentual para o mês desde 1995, após a implantação do Plano Real. A variação foi a maior em 27 anos.

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