Fernando Molica: Seria “quase suicida” Lula nomear Mantega para ministério

No quadro Liberdade de Opinião desta terça-feira (1), o jornalista Fernando Molica analisou declarações de Guido Mantega e José Dirceu sobre eventual governo petista

Luana Franzãoda CNN*

Em São Paulo

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No quadro Liberdade de Opinião desta terça-feira (1º), o jornalista Fernando Molica analisou as declarações recentes de Guido Mantega e José Dirceu, ex-ministros em governos do Partido dos Trabalhadores (PT), de que não assumiriam ministérios em um eventual novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Em entrevista à Bloomberg, Mantega, ex-ministro da Fazenda (antigo nome do Ministério da Economia), afirmou que não pretende voltar ao governo se Lula for eleito para um novo mandato. “A economia tem ciclos. Se a economia não funciona, a culpa é do ministro. Fiquei no governo por 12 anos seguidos. Já dei a minha parte”, disse ele, que comandou a pasta entre 2006 e 2015, passando pelas presidências de Lula e Dilma Rousseff (PT).

Já Dirceu, ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, disse na segunda-feira (31) à Folha de S. Paulo que “não será” parte de um eventual governo do petista. A especulação foi levantada pelo atual presidente Jair Bolsonaro (PL), o qual Dirceu disse ser arrogante e que “não consegue nem nomear os seus e já quer dar pitaco num futuro governo”.

Dirceu foi condenado durante o mensalão por corrupção em 2012 e novamente na Operação Lava Jato em 2016. Já Mantega foi denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato e condenado por Sergio Moro, pré-candidato à Presidência pelo Podemos. Com a anulação das decisões da 13ª Vara de Curitiba pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a ação foi enviada a Brasília, onde foi rejeitada.

Molica afirmou que uma nomeação de Dirceu por parte de Lula “é improvável”. “O José Dirceu teve um papel importantíssimo na construção do PT, teve um papel muito importante na candidatura Lula (…) Depois, caiu em desgraça, foi condenado, e naquele momento houve um afastamento muito claro”, disse. “Seria muito improvável o Lula chamá-lo, porque ficou muito queimado na opinião pública.”

O comentarista também opinou que um ministério de Dilma não seria provável, por conta do mandato e impeachment polêmicos.

Sobre Mantega, Molica disse que seria “quase suicida” por parte de Lula chamá-lo para um eventual governo. Ele relembrou que o ex-ministro, na entrevista à Bloomberg, disse ter cometido erros na liderança da Fazenda, como no caso da intervenção do governo no setor de energia para tentar conter os preços da eletricidade em 2012.

“Ele reconheceu erros, reconheceu que foi errado segurar as tarifas do setor elétrico, e diz que não seria um ministeriável, que não estaria presente num ministério. Seria um erro do Lula fazer isso”, declarou.

Denúncia de Milton Ribeiro

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o ministro da Educação, Milton Ribeiro, por declarações homofóbicas dadas ao jornal O Estado de S. Paulo em 2020.

Em entrevista, Ribeiro relacionou a homossexualidade a “famílias desajustadas” e afirmou que adolescentes estavam “optando por serem gays”.

A PGR afirma que o ministro “discrimina jovens por sua orientação sexual e preconceituosamente desqualifica as famílias em que são criados”. Milton Ribeiro ainda não se pronunciou.

Caso de prevaricação da Covaxin

A Polícia Federal (PF) concluiu que o presidente Jair Bolsonaro (PL) não cometeu crime de prevaricação no caso da negociação da compra da vacina Covaxin contra a Covid-19.

Em relatório final enviado ao Supremo, a PF argumentou que não era função de Bolsonaro a prática de ato de ofício de comunicação de irregularidades.

A investigação teve origem após as acusações feitas pelo deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) e o irmão Luis Ricardo Miranda, que é servidor do Ministério da Saúde. Os dois prestaram depoimento à CPI da Pandemia e afirmaram terem relatado ao presidente “pressões atípicas” que Luis Ricardo estaria recebendo para prosseguir com a compra do imunizante.

O Liberdade de Opinião teve a participação de Boris Casoy e Fernando Molica. O quadro vai ao ar diariamente na CNN.

As opiniões expressas nesta publicação não refletem, necessariamente, o posicionamento da CNN ou seus funcionários.

*Sob supervisão de Murillo Ferrari e com informações de Ligia Tuon

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