Flotilha interceptada: Lula diz que situação de brasileiros é "absurda"

Presidente afirmou ainda que Israel violou as leis Internacionais ao interceptar os integrantes da “Flotilha Global Sumud”

Leticia Martins e Manoela Carlucci, da CNN Brasil, São Paulo
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou, nesta segunda-feira (6), de "absurda" a prisão de brasileiros que estavam em uma flotilha interceptada pelo governo israelense ao tentar acessar a Faixa de Gaza para distribuição de insumos.

De acordo com o brasileiro, Israel "violou as leis internacionais ao interceptar os integrantes da 'Flotilha Global Sumud', entre eles cidadãos brasileiros, fora de seu mar territorial" e "segue cometendo violações ao mantê-los detidos em seu país".

"Desde a primeira hora, dei o comando ao nosso Ministério das Relações Exteriores para que preste todo o auxílio para garantir a integridade dos nossos compatriotas e use todas as ferramentas diplomáticas e legais junto ao Estado de Israel, para que essa situação absurda se encerre o quanto antes e possibilite aos integrantes brasileiros da flotilha regressarem ao nosso país em plena segurança", escreveu em rede social.

 

Visita do Itamaraty

Em meio às negociações para liberar os brasileiros, o Ministério das Relações Exteriores realizou na manhã desta segunda-feira (6) mais uma visita consular aos cidadãos detidos.

Ainda não há prisão de soltura do grupo preso no centro de detenção em Ketziot, no sul de Israel, próximo à fronteira com o Egito.

De acordo com a Global Sumud Flotilha, organização da iniciativa, um grupo de quatro brasileiros: Thiago Ávila, João Aguiar, Bruno Gilga e Ariadne Telles realizam greve de fome como "forma de protesto não violento, historicamente utilizado por pessoas que, privadas de voz ou poder, recorrem ao próprio corpo como instrumento de resistência".

Além disso, o ativista Thiago Ávila iniciou também no último sábado (4), uma greve de sede até que os devidos medicamentos sejam entregues à comitiva.

Desde que a flotilha foi interceptada, cerca de 137 ativistas foram deportados. A informação é do Ministério das Relações Exteriores da Turquia, para onde foram levados ativistas de diferentes nacionalidades.

Aos integrantes da representação diplomática brasileira em Tel Aviv, foi informado que o governo de Israel ofereceu aos detidos a oportunidade de assinarem um documento que tornaria mais célere o processo de deportação.

Apenas cinco brasileiros manifestaram interesse em assinar o termo. Um deles já foi deportado. Nicolas Calabrese, professor de educação física e militante do Psol foi liberado no sábado (4) e deve desembarcar no Brasil nesta segunda-feira.