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    Brasil tem direita “radical” e direita “democrática”, diz Gilmar à CNN

    Em Portugal para o 12º Fórum Jurídico de Lisboa, ministro do STF citou os nomes dos governadores Tarcísio de Freitas e Ronaldo Caiado ao falar de “direita democrática”

    Gilmar Mendes que está em Portugal para o 12º Fórum Jurídico de Lisboa
    Gilmar Mendes que está em Portugal para o 12º Fórum Jurídico de Lisboa CNN Portugal

    Henrique Sales Barrosda CNNManoela Carluccida CNN* São Paulo

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse à CNN ver com “preocupação” os movimentos da “direita chamada de radical” no Brasil e no mundo, mas destacou a existência de uma “direita democrática” no contexto brasileiro.

    Entre os nomes da “direita democrática”, Gilmar Mendes citou, ao CNN Radar Internacional, da CNN Portugal, os nomes dos governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de Goiás, Ronaldo Caiado (União).

    “São pessoas que fazem política tradicional assumindo que são pessoas ou de centro-direita, ou de direita, e veiculando esse tipo de pauta”, afirmou Gilmar Mendes, que está em Portugal para o 12º Fórum Jurídico de Lisboa.

    Em relação ao crescimento da popularidade de pensamentos da direita “radical” no debate político brasileiro, Gilmar afirmou que, no Brasil, há uma “tradição de uma certa tolerância, certa compreensão”. “Espero que isso venha a se verificar”, disse.

    “Recentemente, nós tivemos um episódio sobre o aborto, em que se tentou aprovar uma lei de aborto que nos fazia voltar mais de 80 anos, fazendo com que mesmo nos casos de violência sexual se negasse a possibilidade de aborto”, afirmou.

    “Houve um movimento forte da opinião pública e os próprios propositores recuaram, o que é um sinal positivo nesse quadro”, acrescentou. O projeto, que equipara penas a mulheres por aborto acima de 22 semanas a homicídio, tramita em regime de urgência na Câmara.

    “Grande coalizão”

    Ao falar sobre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Gilmar Mendes disse que o presidente tenta fazer o que, na Europa, se chamaria de “grande coalizão”, compondo com forças que representam “essa ideia de direita, ou, até eventualmente, de setores da própria extrema direita”.

    “Esse é o quadro que nós vivemos, e isso talvez seja até fundamental para a governabilidade”, afirmou o magistrado. “O nosso cuidado é com radicalismos, com a destruição das instituições. Isso é que nós não queremos”, acrescentou.