Gonet: cooperação entre denunciados torna nítida a organização criminosa

Procurador-geral da República afirma que plano do golpe teve coordenação, inspiração e determinação derradeira do ex-presidente Jair Bolsonaro

Davi Vittorazzi e Gabriela Boechat, Rafael Saldanha e Gabriela Piva, da CNN
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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou, durante a sustentação da acusação no julgamento do plano do golpe após as eleições de 2022, nesta terça-feira (2), que a cooperação entre os denunciados da ação penal torna nítida a organização criminosa.

Segundo o PGR, o plano do golpe teve coordenação, inspiração e determinação derradeira do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Os fatos de que a denúncia trata nem sempre tiveram os mesmos atores. Muitos outros, mas todos convidam dentro do seu espaço de atuação para o objetivo comum de assegurar a permanência do presidente da República da época na condição do Estado, pelo que não vencesse as eleições e mesmo depois de haver efetivamente perdido a preferência dos eleitores em 2022", afirmou.

Durante sua fala no início do julgamento que pode condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus do chamado "núcleo 1", Gonet defendeu que houve uma "sequência significativa de ações voltadas para a finalidade [de golpe]".

O procurador-geral da República ainda disse que a cooperação entre os denunciados da ação penal torna nítida a organização criminosa, assim como afirmou não ser necessário "esforço intelectual extraordinário" para notar que o "processo criminoso" para instauração de um suposto plano de golpe de Estado no país "já estava em curso".

A argumentação do PGR começou após o término da leitura do relatório do processo, realizado em cerca de 1h40 pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, na manhã desta terça-feira (2).

Gonet tem até duas horas para realizar a sustentação e defender a condenação dos réus. Em seguida, iniciam-se as argumentações das defesas dos oito acusados. 

Quem são os réus do núcleo 1?

Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o núcleo crucial do plano de golpe conta com outros sete réus:

  • Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
  • Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.

Por quais crimes os réus estão sendo acusados?

Bolsonaro e o outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência e ameaça grave;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

A exceção fica por conta de Ramagem. No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de suspensão a ação penal contra o parlamentar. Com isso, ele responde somente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Cronograma do julgamento

Foram reservadas pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, cinco datas para o julgamento do núcleo crucial do plano de golpe. Veja:

  • 2 de setembro, terça-feira: 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Ordinária)
  • 3 de setembro, quarta-feira: 9h às 12h (Extraordinária)
  • 9 de setembro, terça-feira: 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Ordinária)
  • 10 de setembro, quarta-feira, 9h às 12h (Extraordinária)
  • 12 de setembro, sexta-feira, 9h às 12h (Extraordinária) e 14h às 19h (Extraordinária)