Governo avalia ir ao STF contra "jabutis" do Congresso que encarecem luz

Segundo fontes, possibilidade de recorrer com ADI foi tratada em reunião no Palácio do Planalto nesta semana

Danilo Moliterno, da CNN, São Paulo
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O governo federal discute a possibilidade de acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra os “jabutis” que encarecem a conta luz inseridos pelo Congresso Nacional no projeto de lei (PL) para regulamentação da energia eólica offshore.

Segundo fontes, a possibilidade de recorrer ao Supremo com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) foi tratada em uma reunião no Palácio do Planalto na última quarta-feira (18). A informação foi revelada pela Exame e confirmada por fontes próximas ao assunto à CNN.

Estiveram presentes neste encontro o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, além dos palacianos Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Rui Costa (Casa Civil), e o ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira. O impacto dos “jabutis” nos preços ao consumidor preocupa os comandados do presidente Lula. 

Como mostrou a CNN, o governo refez contas e calcula impacto anual de R$ 35 bilhões à conta de luz com estas medidas. Dessa maneira, em quinze anos, o custo total ficaria em torno de R$ 525 bilhões.   

Quem também avalia ir ao STF contra os “jabutis” é a Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE). Os argumentos jurídicos discutidos entre técnicos do governo e da entidade são semelhantes: risco à segurança jurídica do marco regulatório recém-aprovado e elevado custo à população. 

Custo supera meio trilhão  

Segundo apuração da CNN, os cálculos dos técnicos da Esplanada dos Ministérios apontam para custo anual de R$ 35,06 bilhões. Até 2040, o valor alcançaria R$ 525 bilhões. Confira abaixo detalhamento.  

  • Térmicas: R$ 20,6 bi por ano (R$ 309 bi até 2040) 
  • Proinfa: R$ 600 mi por ano (R$ 9 bi até 2040) 
  • PCHs: R$ 12,4 bi por ano (R$ 186 bi até 2040) 
  • Eólicas: R$ 260 mi por ano (R$ 3,9 bi até 2040)  
  • Hidrogênio: R$ 1,2 bi por ano (R$ 18 bi até 2040) 

Inicialmente o valor anual de custo projetado pelo governo era de R$ 32 bilhões. O valor total calculado pela gestão federal supera o impacto projetado pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE), de R$ 197 bilhões até 2050.