Governo prepara resposta a questionamentos dos EUA sobre Pix para dia 18
Sistema de pagamento brasileiro faz parte de uma lista de reclamações mencionada no processo de investigação comercial dos Estados Unidos contra o Brasil
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou, nesta terça-feira (5), que o governo brasileiro vai apresentar uma resposta aos Estados Unidos sobre os questionamentos do Pix no próximo dia 18.
"Sobre a investida da sessão 301 da Lei de Comércio norte-americana, que questiona o nosso Pix e outras práticas brasileiras absolutamente legítimas, gostaria de informar que o Itamaraty está coordenando a preparação da resposta a ser apresentada pelo governo brasileiro dia 18 de agosto", disse o chanceler durante abertura da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável.
O Pix faz parte de uma lista de reclamações mencionada no processo de investigação comercial dos Estados Unidos contra o Brasil. Para o país norte-americano, o sistema de pagamento é um exemplo de como o governo local favorece o país em detrimento das empresas norte-americanas.
“O Brasil também parece se engajar em uma série de práticas desleais com relação aos serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, cita o documento do Escritório da Representação Comercial dos EUA, o USTR.
Ação na OMC em meio ao tarifaço
Na última segunda-feira (4), o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que a Camex (Câmara de Comércio Exterior) autorizou que o Brasil acione a OMC (Organização Mundial do Comércio) sobre o tarifaço de Donald Trump.
Nesta manhã, Mauro Vieira destacou que, "em respostas às medidas protecionistas, o Brasil propôs ao Conselho da OMC um item de agenda sobre o respeito ao sistema multilateral de comércio baseado em regras".
Para o ministro, as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, impostas pelos Estados Unidos e formalizadas no último dia 30, "ameaçam a economia mundial".
"Abrimos também, procedimentos de consulta na OMC sobre as tarifas. Essas tarifas, contrárias aos princípios multilaterais de comércio, ameaçam lançar a economia mundial em um espiral de inflação e estagnação", disse Vieira.
Segundo Alckmin, agora cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tomar a decisão de “como e quando fazer”.


