Guimarães se coloca contra possibilidade de o governo federal socorrer BRB

Ex-presidente do BRB foi preso na manhã desta quinta-feira (16); PF investiga se ele recebeu R$ 140 milhões do ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro

Luciana Amaral, Isabel Mega e Duda Cambraia, da CNN Brasil, Brasília
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O novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), se disse contra a possibilidade de o governo federal socorrer o BRB (Banco de Brasília) diante de eventuais prejuízos da instituição financeira em decorrência do escândalo do Banco Master.

“Se esse assunto chegar [ao Planalto], sou radicalmente contrário, na minha opinião, a socorrer o BRB”, afirmou, em café da manhã com jornalistas nesta quinta-feira (16).

O BRB enfrenta um momento de pressão após identificarem cerca de R$ 12 bilhões em operações de crédito fraudulentas, que impactaram o balanço e aumentaram a necessidade de capital.

Parte relevante do problema está ligada à estratégia adotada pelo banco nos últimos anos, com forte exposição a carteiras de crédito originadas pelo Banco Master. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso na manhã desta quinta.

No mandado de prisão expedido, o ministro do Supremo André Mendonça afirma que os elementos reunidos indicam que Paulo Henrique teria utilizado a presidência do BRB para sustentar a liquidez do Banco Master e, em troca, recebido valores indevidos.

De acordo com a PF, Paulo Henrique teria recebido R$ 146,5 milhões por meio de seis imóveis de luxo, escolhidos em negociações diretas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Mensagens de WhatsApp anexadas ao processo, trocadas entre Paulo Henrique e Vorcaro, indicam, segundo a PF, proximidade entre os dois e alinhamento para o cometimento de crimes.

Nos diálogos, o então presidente do BRB menciona estar tomando medidas relacionadas a negócios de interesse de Vorcaro, ao mesmo tempo em que trata da visita de sua esposa a um dos imóveis de luxo.

O ministro do governo Lula se disse abismado com o que tem sido revelado de irregularidades e suspeitas de corrupção envolvendo o caso Master.

“Portanto, acho que não tem que...essa questão do Banco Master...acho que ao final vamos saber quem são os responsáveis por tamanho absurdo que foi feito.”

Na mesma linha que já tem sido adotada pelo Planalto, o ministro elogiou o trabalho feito pela Polícia Federal e ressaltou que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é de investigar todos, “doa a quem doer”.

Guimarães tomou posse no ministério nesta semana e tem como principal objetivo melhorar a relação do governo com o Congresso neste ano eleitoral. Como ministro da SRI, ele ainda tem como função articular a relação do governo com os entes federativos, como estados e municípios.