Haddad defende PEC da Segurança e ressalta que texto impõe "integração"
Ministro da Fazenda afirmou que governo federal tem contribuído para o debate e que proposta em discussão na Câmara dos Deputados é necessário para combater o crime organizado
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a defender nesta quarta-feira (29) a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, de autoria do governo e em discussão na Câmara dos Deputados.
Ao falar da megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro na terça (28), Haddad disse que a PEC será a forma que os entes federativos conseguirão combater o crime organizado.
"Nós precisamos nos organizar. Por isso que é tão importante a PEC da Segurança Pública, porque ela impõe a todos, governadores e presidente da República, Receita, Polícia Federal, Ministério Público Federal uma integração. Assim, nós vamos conseguir combater o crime organizado. Nós estamos dando a nossa contribuição", afirmou a jornalistas.
Ainda em conversa com a imprensa, Haddad criticou o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e afirmou que o gestor do estado fluminense "tem feito praticamente nada" em relação à prevenção das fraudes de combustíveis.
"Eu penso que o governador deveria nos ajudar em relação a isso. Hoje o Estado do Rio não tem feito praticamente nada em relação ao contrabando de combustível", complementou o ministro, que disse que a questão dos combustíveis é o ponto central para o financiamento do crime organizado no estado.
Megaoperação no Rio de Janeiro
Policiais civis e militares realizaram na terça (28) uma megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, na zona Norte do Rio de Janeiro. Batizada de Operação Contenção, a ação deixou ao menos 64 mortos, 81 presos e 93 fuzis apreendidos.
Depois da operação, o governador Cláudio Castro disse que o estado estava "sozinho" e cobrou maior integração por parte do governo federal. Disse ainda que já havia pedido a ajuda das Forças Armadas com blindados três vezes, e que todos os pedidos foram negados.
A fala de Castro foi o ponto de partida para uma troca de acusações entre o governo do Rio de Janeiro e integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Depois da declaração, o ministro da Justiça Ricardo Lewandowski rebateu o governador, dizendo que não recebeu pedidos por parte do estado para a megaoperação.
Em meio ao mal-estar, Castro ligou para a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Disse que não tinha intenção de criticar o governo.
PEC da Segurança Pública
A PEC da Segurança é mais um ponto de divergência entre o governo federal e o Rio. O objetivo da PEC é dar maior celeridade aos procedimentos das forças por meio do Sistema Único de Segurança Pública, prevendo uma maior integração entre União e entes federados.
Segundo Castro, os ministros "focam na questão da PEC e esquecem da política de fronteiras". O governador cobra um aumento do trabalho nas fronteiras, com o objetivo de minar o poder financeiro e bélico das organizações criminosas.


