Heleno: PF é subordinada ao presidente e precisa de apoio para diligências

CNN teve acesso à íntegra de conteúdo da agenda de ex-ministro do GSI, apreendida pela PF

Elijonas Maia, Brasília
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A PF (Polícia Federal) encontrou na agenda de uso pessoal do general Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), um compilado de anotações sobre a corporação que apontavam para medidas que poderiam limitar os trabalhos de investigação e reforçariam a tese de uma PF aparelhada.

A CNN teve acesso à íntegra do conteúdo da agenda do militar, que foi apreendida pela PF. São 101 páginas duplas. O caderno, como espécie de diário, era carregado por Heleno durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) e contém pensamentos, anotações de dados, briefings de reuniões e ideias ou pontos a implementar.

Sobre a PF de forma específica, há mais de uma página com menções à instituição. Uma delas diz que “a Polícia Federal é subordinada ao PR [presidente]. Delegado não pode cumprir diligências que não [tsc..] Diligência tem que estar apoiada. Chamado de genocida e não agiu. AGIR. Tem que agir. Ilegalidades estão sendo cometidas".

O termo “diligências” significa operações policiais, quando os agentes da PF saem para cumprir mandados determinados pela Justiça.

Para investigadores da PF, essas anotações seriam para um plano que tiraria a PF do guarda-chuvas do Ministério da Justiça e seguiria orientações da Presidência. Essas informações, porém, não fizeram parte do relatório final da PF sobre a suposta trama golpista e da chamada “Abin paralela” ao STF (Supremo Tribunal Federal), em que Heleno foi investigado.

Agentes também apontam que, nesse sentido das anotações do general, o presidente da República daria força normativa à nova regra da “PF subordinada”, que previa, por exemplo, prender em flagrante um delegado que fosse contrário a cumprir uma ordem judicial que a AGU previamente tivesse apontado.

Nesta quarta-feira (13), a CNN já mostrou que o general escreveu sobre um episódio de espionagem a um desafeto de Jair Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente, e a anotação de “Abin de olho nele” em relação a um ex-deputado do PT.

A caderneta também mostra anotações de Heleno defendendo a vacinação de Bolsonaro durante a pandemia e citação da Abin para investigar o Coaf.

A CNN procurou a defesa do general e não obteve retorno.