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    Instituto Brasil-Palestina diz que retenção de palestino em SP é “absurda”

    Justiça federal decidiu repatriar homem de 37 anos, esposa grávida, filho e sogra após PF apontar suposta ligação dele com Hamas

    De acordo com os investigadores, o homem integra a lista do FBI – a polícia federal americana – que monitora suspeitos de integrar grupos terroristas: a Terrorist Screening Center (TSC)
    De acordo com os investigadores, o homem integra a lista do FBI – a polícia federal americana – que monitora suspeitos de integrar grupos terroristas: a Terrorist Screening Center (TSC) 08/01/2024REUTERS/Shannon Stapleton

    Jussara SoaresGabriela PradoRebeca Borgesda CNN Brasília

    Justiça federal decidiu repatriar homem de 37 anos, esposa grávida, filho e sogra após PF apontar suposta ligação dele com Hamas

    Em nota divulgada neste domingo (23), o Instituto Brasil-Palestina (IBASPAL) considerou como “absurda” a “prisão” de Muslim M. A Abummar, retido pela Polícia Federal (PF) por suspeita de envolvimento com o grupo terrorista Hamas.

    O cidadão palestino tem 37 anos desembarcou no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, na última sexta-feira (21), acompanhado de três familiares. Segundo o advogado de Abummar, ele foi abordado por agentes da PF na porta do avião e informado de que não poderia entrar no Brasil.

    Ainda de acordo com os investigadores, o homem integra a lista do FBI – a polícia federal americana – que monitora suspeitos de integrar grupos terroristas: a Terrorist Screening Center (TSC).

    No comunicado divulgado neste domingo, o IBRASPAL afirma que a PF está “atuando para aplicar determinações do governo norte-americano no Brasil”. “A lista do TSC não tem amparo na legislação brasileira. Ao utilizá-la como critério para impedir a entrada de um cidadão palestino no Brasil, a PF está atuando como sucursal do FBI”, afirma o presidente do instituto, Ahmed Shehada, que assina a nota.

    A organização também afirma que as acusações da PF foram feitas “sem nenhum tipo de investigação”. “Ou seja, levaria em consideração não só a lei dos EUA, mas também a própria investigação norte-americana. Coloca-se assim, mais uma vez, como verdadeira fachada para a atuação do FBI no Brasil.”

    Além disso, o presidente do IBRASPAL defende que os Estados Unidos “não têm autoridade nenhuma para alegar que ninguém no mundo é terrorista”. O instituto ainda acusa o país de ser aliado do regime sionista e de apoiar mortes de palestinos na Faixa de Gaza.

    “Eles fornecem as bombas, veículos, apoio econômico e político. Seria impossível para o regime sionista promover o genocídio em Gaza sem o apoio que recebe dos EUA. E isso é apenas uma das monstruosidades terroristas realizadas pelo governo norte-americano”, afirma o instituto.

    Justiça decide repatriar palestino

    Em decisão divulgada nesta tarde, a Justiça Federal decidiu repatriar o palestino. Segundo a CNN apurou, fontes da PF afirmam que Muslim M. A Abummar e os familiares podem ser repatriados ainda neste domingo, se houver vaga no voo.

    A defesa de Muslim M. A Abuumar havia conseguido uma decisão liminar que adiava a repatriação. A Justiça ainda determinou que PF prestasse esclarecimentos sobre os motivos de impedir a entrada do palestino que estava com a mulher grávida de sete meses, um filho de 6 anos e a sogra.

    Após os esclarecimentos, a magistrada Millena Marjorie Fonseca da Cunha considerou que não houve ilegalidade na ação da PF e determinou a repatriação. A defesa do palestino afirmou que vai recorrer ao Tribunal Regional Federal da Terceira Região (TRF-3).

    Investigação

    Muslim M. A Abuumar está acompanhado da mulher – grávida de 7 meses – um filho de 6 anos e a sogra, de 69 anos. Abuumar emitiu no dia 13 de junho um visto de 90 dias para permanecer no Brasil. Já os outros três familiares são cidadãos malaios e não precisam de visto para entrar no país.

    A suspeita dos investigadores é que Abummar tenha vindo a São Paulo para que a mulher tenha o filho. Deste modo, a criança nasceria brasileira, o que garantiria a naturalização e a permanência dos familiares no território brasileiro.

    Para a PF, esse “modus operandi” foi observado em outras pessoas suspeitas de estarem vinculadas a organizações responsáveis por atos terroristas e que o cenário justifica o impedimento para entrarem no país.