Investigação sobre trabalho de Moro em consultoria foi arquivada no Paraná

Pedido de investigação foi protocolado pela Associação Brasileira de Juristas pela Democracia em dezembro de 2020, alegando conflito de interesses na atuação do ex-juiz na iniciativa privada

O ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro
O ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro REUTERS/Adriano Machado

Vinícius Tadeuda CNN

São Paulo

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O Ministério Público Federal do Paraná decidiu pelo arquivamento de uma apuração preliminar sobre o trabalho do ex-juiz e pré-candidato à Presidência pelo Podemos Sergio Moro na empresa de consultoria Alvarez & Marsal. Os procuradores não viram indícios suficientes para abrir uma investigação contra o ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro.

A ação foi protocolada como notícia de fato pela Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) em dezembro de 2020, logo após Moro ter sido contratado pela iniciativa privada. O instrumento utilizado serve para apresentar evidências de irregularidades à Procuradoria e pedir por uma investigação.

A ABJD alegou que a atuação do ex-juiz à frente da consultoria estaria comprometida, visto que na época em que era magistrado, Moro atuou em processos que envolviam empresas investigadas pela Operação Lava Jato para as quais a Alvarez & Marsal presta serviços de recuperação judicial.

“Estando agora ao lado das empresas pode, a pretexto de sua contratação como especialista na área jurídica, ofertar caminhos de solução a partir de conhecimento privilegiado. Sua atuação encontra-se absolutamente comprometida”, disse o pedido de investigação.

No entanto, a Procuradoria da República do Paraná, estado berço da Lava Jato, decidiu pelo arquivamento da apuração preliminar argumentando que Moro já havia se desvinculado do serviço público e que “não há nenhum impedimento para o exercício de atividade privada”.

O procurador Daniel Holzmann Coimbra, chefe do MPF no Paraná, analisou o pedido e considerou que não há indícios de crime ou eventual conflito de interesses que justifiquem a abertura de investigação, arquivando o pedido da ABJD em abril de 2021.

Após pedir demissão do cargo de ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro, em abril de 2020, Moro foi contratado pela Alvarez & Marsal, empresa de consultoria que também prestou serviços de recuperação judicial para a Odebrecht e outras empresas afetadas pela Lava Jato. O ex-juiz se desvinculou da companhia em 31 de outubro deste ano.

Desde então Moro vem sendo pressionado por adversários políticos e é alvo de uma investigação do Tribunal de Contas da União (TCU). O ex-juiz classificou o procedimento como “um abuso”. Nesta sexta-feira (28), o pré-candidato à Presidência afirmou que irá revelar todos os seus rendimentos durante o período em que atuou na iniciativa privada.

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