Irmãos Weintraub criticam perdão a Daniel Silveira e são atacados por Eduardo Bolsonaro

“Os precedentes que estão sendo criados são péssimos. Depois você vai querer comparar o que aconteceu com o Daniel [Silveira] com o cara lá na frente que tiver com corrupção”, afirma Arthur Weintraub, em transmissão junto com o irmão Abraham, ex-ministro da Educação

Ex-ministro Abraham Weintraub e seu irmão Arthur discutiram com Eduardo Bolsonaro pelas redes sociais
Ex-ministro Abraham Weintraub e seu irmão Arthur discutiram com Eduardo Bolsonaro pelas redes sociais EBC, Divulgação e Agência Câmara

Douglas Portoda CNN

em São Paulo

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Os irmãos Arthur Weintraub e Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação, realizaram uma transmissão pelas redes sociais para comentar o perdão da pena do deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) concedido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Os precedentes que estão sendo criados são péssimos. Depois você vai querer comparar o que aconteceu com o Daniel com o cara lá na frente que tiver com corrupção, lavagem de dinheiro, mas vai falar: aqui também já tem um precedente. É muita coisa. É impressionante. Jamais imaginei que fosse ver uma coisa dessa”, afirmou Arthur Weintraub, durante a transmissão, na noite desta sexta (22), sobre a concessão do perdão.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) postou o trecho da transmissão em sua conta no Twitter e criticou os comentários dos Weintraub.

“A gente tá na guerra e o cara me falando em precedente, como se nunca um corrupto tivesse recebido indulto e agora o instrumento tenha sido utilizado para seu fim: soltar um inocente. E quem fala são os irmãos que saíram do país para se livrar desta perseguição. São uns filhos da p***! Desculpa, mas não há outra palavra.”

Arthur retrucou, afirmando que “sobre o trecho cortado no estilo CQC [programa humorístico que era transmitido pela Band] fazia contra o seu pai: eu digo que o indulto foi uma sacada. Nunca fui contra. E digo mais, foi o Bruno Bianco [Advogado-Geral da União] que deve ter bolado. O teu padrinho de casamento, Jorginho, que criou a teoria jurídica de que o presidente nunca podia fazer nada.”

E continuou: “sobre o precedente que falei [ao longo da transmissão], no futuro vão usar isso sim para o mal. E eu disse que todo esse contexto, de decisão contra o Daniel, fim das liberdades, prisões ilegais, é lamentável e absurdo”.

Arthur Weintraub sinalizou ainda que irá processar o deputado federal. “Sempre respeitei a Dona Rogéria, e sempre fui respeitado por ela (me segue e eu a sigo). Infelizmente terei que te processar, pois trato do filho do presidente ao filho de qualquer outra pessoa de maneira igual.”

Ainda sobre a graça concedida por Bolsonaro, Abraham Weintraub foi na mesma linha do irmão: “Tomara que o indulto dê certo, ao menos para o Daniel [Silveira].”

“Porém, a provável nova derrota nos deixará pior. A euforia gerou a falsa sensação de segurança, haverá mais perseguições e a frustração enfraquecerá ainda mais a direita. Agora, podem me crucificar”, afirmou o ex-ministro da Educação.

A Eduardo, Weintraub replicou: “1) Minha falecida mãe era médica, mulher honesta. Sua mãe, dona Rogéria, é decente e honesta. 2) Somos favoráveis à liberdade do Daniel. Veja a fala inteira. Cortaram na maldade, como fizeram na minha fala sobre “votar no Lula”. 3) Tarcísio foi ao RodaViva e à Lide/Dória. Eu não!”.

Em relação à menção a Tarcísio de Freitas (Republicanos) — pré-candidato ao governo de São Paulo —, havia a expectativa de que Bolsonaro apoiasse Abraham, que também é pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes pelo PMB, mas o chefe do Executivo optou por apoiar o ex-ministro da Infraestrutura.

A CNN entrou em contato com Arthur Weintraub, Abraham Weintraub e Eduardo Bolsonaro, mas não obteve retorno. A assessoria do ex-ministro Tarcísio de Freitas disse que não vai se manifestar.

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