Itamaraty condena uso da força após fala de porta-voz dos EUA

Secretária de Imprensa da Casa Branca disse que Donald Trump não tem medo de usar poderio em defesa da liberdade em relação ao Brasil

Maria Clara Matos, da CNN, São Paulo
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Após a porta-voz da Casa Branca afirmar nesta terça-feira (9) que os Estados Unidos poderiam utilizar a força militar para "proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo", o Palácio do Itamaraty divulgou um comunicado condenando o uso de ameaças econômicas ou militares contra a democracia brasileira.

"O governo brasileiro condena o uso de sanções econômicas ou ameaças de uso da força contra a nossa democracia. O primeiro passo para proteger a liberdade de expressão é justamente defender a democracia e respeitar a vontade popular expressa nas urnas. É esse o dever dos Três Poderes da República, que não se intimidarão por qualquer forma de atentado à nossa soberania", declarou o Ministério de Relações Exteriores.

"O governo brasileiro repudia a tentativa de forças antidemocráticas de instrumentalizar governos estrangeiros para coagir as instituições nacionais", acrescenta a nota.

Ao ser questionada sobre o julgamento envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o presidente Donald Trump não tem medo de usar recursos militares e econômicos para "proteger a liberdade de expressão".

"A liberdade de expressão é, sem dúvida, a questão mais importante do nosso tempo. Ela está consagrada em nossa Constituição, e o presidente acredita fortemente nela", disse Leavitt em entrevista coletiva.

Mais cedo, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais do Brasil, Gleisi Hoffmann, também reagiu às falas. No X, a chefe da pasta afirmou que a "conspiração da família Bolsonaro contra o Brasil chegou ao cúmulo", e que as declarações são inadmissíveis.


O Brasil enfrenta hoje uma tarifa total de 50% sobre parte dos produtos exportados aos EUA. A medida teve como uma das justificativas o processo criminal envolvendo o ex-presidente, sendo considerado uma "caça às bruxas" por Washigton.