Jurista avalia se Weintraub usou cargo de ministro para ir para exterior

Lênio Streck conversou com a CNN neste sábado (20) sobre as recentes movimentações do ex-ministro da Educação

Da CNN, em São Paulo

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Em entrevista à CNN neste sábado (20), o jurista Lênio Streck disse que há a possibilidade do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, ter usado o cargo para facilitar a entrada nos Estados Unidos e, se for o caso, corre o risco de ser deportado.

Em publicação nas redes sociais, Arthur Weintraub, irmão do ex-ministro, informou na manhã deste sábado que Abraham já estava fora do país. Para Streck, há chances de o ex-ministro, que foi exonerado apenas neste sábado, ter usado o cargo governamental para entrar nos Estados Unidos.

“Se as regras de entrada em solo americano não mudarem, pode haver um gap entre [ele ser] ex-ministro e ainda não ser nomeado direitor do Banco Mundial. Se a legislação for cumprida a rigor, Weintraub pode ser expulso [dos Estados Unidos]”, avaliou Streck.

O jurista completou ainda que não sabemos todos os elementos sobre a saída de Weintraub para o exterior. “Nesse caso em específico, pode acontecer esse gap, não sei como vão tratar esse assunto. Mas com certeza vão resolver a situação dele, nem que tragam ele de volta antes, ainda como ministro, e depois tentem arrumar isso. Isso me parece uma precipitação [a ida de Weintraub para os EUA].”

Caso Queiroz

Sobre o caso Queiroz, que ganhou um novo capítulo com a prisão de ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) na última quinta-feira (18), Lênio Streck afirmou que, apesar de não ser um fugitivo da polícia, ele agia como um por viver de forma reservada em Atibaia, no interior de São Paulo.

A prisão de Queiroz faz parte do desdobramento do inquérito que investiga um suposto esquema de “rachadinha” — em que servidores do gabinete devolvem parte do salário — na Alerj.

“Ele não era fugitivo, mas estava sob situações bizarras. O advogado dele era, ao mesmo tempo, também o advogado do presidente da República e do filho dele. Não se pode nem dizer que o advogado estivesse em conluio com alguma coisa porque ainda não, mas tecnicamente ele [Queiroz] poderia ser hóspede ou sequestrado. (…) O caso Queiroz só existe porque é ‘Queiroz-Flávio Bolsonaro'”, apontou.

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