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    Justiça decide manter preso bombeiro acusado de participar de atos antidemocráticos

    Decisão foi tomada pela Justiça Federal do Rio de Janeiro; militar ficará em presídio da corporação

    Manifestantes caminham pela Esplanada, rumo ao Congresso Nacional, neste domingo, 8 de janeiro
    Manifestantes caminham pela Esplanada, rumo ao Congresso Nacional, neste domingo, 8 de janeiro CNN

    Pedro Duranda CNN

    no Rio de Janeiro

    Depois de ter a prisão mantida pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, o subtenente Roberto Henrique de Júnior Souza e foi encaminhado para o Grupamento Especial Prisional do Corpo de Bombeiros, em São Cristóvão, centro da capital fluminense. Lá ele ficará até a reversão da decisão da Justiça, se de fato isso acontecer.

    Souza Júnior foi preso pela Polícia Federal nesta segunda-feira (16) durante uma operação da PF em Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro. Uma mulher de 48 anos que tinha sido alvo de outro mandado de prisão se entregou à noite. Um outro suspeito continua foragido.

    A Operação Ulysses levou esse nome em referência à Ulysses Guimarães, um dos brasileiros que teve atuação mais expressiva em defesa da democracia. A investigação mira apontar financiadores e organizadores não só das invasões a prédios públicos no dia 8 de janeiro em Brasília, mas também no acampamento montado no Quartel General do Exército na capital fluminense e no bloqueio de estradas.

    Passado na política e na corporação

    Com apenas 1.260 votos, Roberto Henrique de Souza Júnior saiu das eleições de 2018 com o plano de se tornar deputado federal frustrado. Ele ficou em 907° lugar entre 1154 candidatos, sem chance de ocupar uma das 44 cadeiras do Rio de Janeiro na Câmara Federal.

    Sob o nome de ‘Júnior Bombeiro’ na urna, o subtenente da corporação em Campos dos Goytacazes havia tentado a vaga pelo Patriota, partido que lançara Cabo Daciolo a presidente.

    Na campanha de 2018, Souza Júnior tirou apenas R$600 do próprio bolso e imprimiu cartões e adesivos, ele não recebeu doações e nem teve outras despesas. Os números sugerem um investimento muito inferior aos nomes que conseguiram se eleger.

    A CNN apurou que Souza Júnior chegou a ser excluído da corporação mas foi beneficiado com uma lei que anistiou bombeiros e acabou voltando. Os últimos salários pagos ao agente público foram de R$ 16,4 mil.

    A CNN não conseguiu contato com a defesa do bombeiro preso até o fechamento desta reportagem. Já a corporação disse que acompanha os trabalhos da PF e “segue ao dispor das autoridades para colaborar nas investigações”.

    “O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro repudia veementemente quaisquer atos que ameacem o Estado Democrático de Direito”, afirmou o secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Leandro Monteiro. Ele considerou a participação de integrantes da tropa nos atos como “inadmissível”.