Justiça do Rio nega pedido da defesa e mantém Cristiano Girão na prisão

Ex-vereador do Rio foi preso preventivamente no último dia 30 por, segundo a Polícia Civil, ter sido o mandante do assassinato de um ex-policial

Ex-vereador Cristiano Girão é preso em São Paulo
Ex-vereador Cristiano Girão é preso em São Paulo Foto: Reprodução

Iuri Corsini, da CNN, no Rio de Janeiro

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O desembargador Cláudio Tavares de Oliveira Júnior, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), negou, nesta quinta-feira (19), um habeas corpus em caráter liminar impetrado pela defesa de Cristiano Girão, que pedia a soltura do ex-vereador do Rio, preso no último dia 30.

A defesa pretendia que fosse assegurada a garantia de que Girão pudesse responder em liberdade às acusações pelas quais ele foi preso preventivamente. Segundo o advogado de Girão, Zoser Hardman, a decisão desta quinta-feira já era esperada e agora ele vai aguardar a decisão do colegiado. 

Em sua análise da liminar, o desembargador entendeu que o processo está devidamente embasado e que não há motivos para que seja revertida a decisão de prisão. 
 
“A decisão contra a qual se insurge o impetrante se encontra suficientemente fundamentada, e não se mostra, em princípio, ilegal ou teratológica, tampouco passível de ser cassada ou reformada em sede de cognição sumária, com base em juízo de probabilidade. Por tais motivos, indefiro o pedido liminar”, decidiu o magistrado. 

No pedido de habeas corpus, a defesa de Girão alegou que a prisão foi injusta e que a decisão versa sobre um fato ocorrido há mais de sete anos. 

“Não há fundamentação adequada, além dos fatos imputados não possuírem contemporaneidade, o que ensejará a concessão da ordem para que, em liberdade, o paciente possa se defender das injustas acusações contidas na peça inaugural”. 

O mérito da questão, no entanto, ainda será julgado por um colegiado. No caso, três desembargadores decidirão sobre o pedido de soltura. Em tese, um pedido de habeas corpus leva em média 30 dias para ser julgado no mérito. O pedido foi feito pela defesa no dia 2 deste mês.  

Porém, caso o desembargador concedesse a liminar, Girão seria solto e aguardaria o julgamento do mérito por parte do colegiado, em liberdade. 

Cristiano Girão foi preso no último dia 30 em São Paulo (SP), onde mora, por suspeita de ser o mandante de um duplo homicídio no Rio, em 2014. A ação foi da Delegacia de Homicídios da Capital Fluminense e contou com apoio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic-SP). 

Segundo a polícia civil carioca, as investigações apontaram o ex-vereador como mandante do assassinato do ex-policial André Henrique da Silva Souza, conhecido como Zóio, em 2014. O crime, que também vitimou Juliana Sales de Oliveira, companheira de Zóio, teria acontecido por causa da disputa pelo poder da milícia na região da Gardênia Azul, na zona oeste do Rio.  

As investigações também apontaram que o crime foi executado pelo Policial militar reformado, Ronnie Lessa, acusado da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes, em 2018. Lessa já está preso em decorrência do assassinato da vereadora.

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