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    Eleições 2022

    Kalil aumentou patrimônio em R$ 1 milhão durante 1º mandato como prefeito de Belo Horizonte

    Aumento de bens declarados entre os pleitos aconteceu em um cenário no qual ele doou para si próprio 80% dos patrimônios para a campanha

    Marcos Guedesda CNN

    São Paulo

    O ex-prefeito de Belo Horizonte e pré-candidato ao Governo de Minas Gerais, Alexandre Kalil (PSD), teve uma evolução patrimonial declarada para a Justiça Eleitoral de R$ 1 milhão entre as eleições de 2016 e 2020.

    O aumento de bens declarados entre os pleitos aconteceu em um cenário no qual ele doou para si próprio 80% dos patrimônios para a campanha da primeira eleição.

    A CNN consultou as contas eleitorais de Alexandre Kalil relacionadas às duas eleições que ele concorreu para a prefeitura de Belo Horizonte. Em 2016, o então candidato do Partido Humanista da Solidariedade (PHS) declarou ter R$2,7 milhões entre imóveis, automóveis, participações societárias e investimentos. As contas daquela campanha mostram que ele foi o maior colaborador, sendo que doou para si próprio R$ 2,2 milhões.

    Em tese, ao término das eleições, Kalil teria um saldo restante de pouco mais de R$ 500 mil reais. As contas das eleições de 2016 foram reprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) mineiro. Na ocasião, a Corte Regional constatou que o valor de R$ 2,2 milhões eram de origem não identificada, apesar de Kalil declarar o valor como recursos próprios aplicados na campanha.

    Em fevereiro desse ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a desaprovação das contas de Alexandre Kalil (PSD) daquelas eleições por uso de recursos de origem não identificada.

    O Plenário determinou a devolução de R$ 2,2 milhões – o mesmo valor doado a si próprio – ao Tesouro Nacional por uso de verbas irregulares durante a campanha em que Kalil foi eleito prefeito de Belo Horizonte (MG) pela primeira vez.

    Quatro anos após ser eleito pela primeira vez, Kalil, ao apresentar as contas eleitorais, demonstrou que não só recuperou o valor doado para a própria campanha, como aumentou a lista de bens, declarando R$ 3,6 milhões no pleito de 2020.

    Conta no exterior e dívidas

    O aumento de patrimônio de Alexandre Kalil é acompanhado da apresentação de uma conta no exterior que não apareceu na primeira declaração. No pleito de 2020, ele declarou ter pouco mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras.

    Apesar de não ter sido declarado com a mesma nomenclatura, o valor é similar ao saldo de uma conta mantida nos Estados Unidos, que aparece em documentos obtidos com exclusividade pela CNN.

    O advogado de direito público e mestre em instituições políticas Felipe César Santiago conversou com a reportagem e explicou que a diferença entre as nomenclaturas deve ser discutida pelo TSE, no sentido de resguardar o princípio constitucional da transparência.

    “É de interesse social que exista clareza e objetividade da origem e da natureza dos recursos. A omissão de informações subtrai das pessoas o direito de saber a evolução patrimonial de quem está votando, a origem dos recursos.” – diz.

    Se por um lado Alexandre Kalil aumentou o patrimônio pessoal, por outro acumula dívidas das empresas controladas pela família. Em consulta ao site do Tribunal de Justiça de Belo Horizonte, foram encontrados 125 processos trabalhistas contra as duas maiores empresas do grupo – Erkal Engenharia Ltda e Fergikal Ltda.

    De acordo com documentos de um processo que reúne informações sobre as dívidas das empresas do grupo comandado por Kali há cobranças de quase R$ 9 milhões somente em ações trabalhistas. O mesmo documento reúne informações sobre dívidas fiscais com a União que ultrapassam R$ 27 milhões.

    Respostas

    A CNN procurou a assessoria de imprensa de Alexandre Kalil para se posicionar sobre os pontos levantados na reportagem e a seguinte nota foi enviada: “São denúncias velhas que já surgiram em eleições anteriores. Coisa antiga e eleitoreira. Como muitos empresários e brasileiros neste país, que não são bilionários, tenho dívidas e elas são negociadas na Justiça.”