Lei das Estatais criminaliza políticos, mas quem pratica crime é a iniciativa privada, diz Gleisi

Deputada afirma concordar com eventual mudança na legislação, ideia apoiada por Arthur Lira

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) no plenário da Câmara - 22/06/2022
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) no plenário da Câmara - 22/06/2022 Paulo Sergio/Câmara dos Deputados

Da CNN

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A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) criticou a Lei das Estatais e afirmou que a legislação criminaliza a política, mas “quem pratica crime é a iniciativa privada”.

A fala ocorreu no plenário da Câmara dos Deputados, na quarta-feira (22).

“Diz lá, na Lei das Estatais, que ninguém que participou de eleição há quatro anos pode ser indicado diretor da Petrobras, ou diretor de uma estatal. Não pode ser político, não pode ser líder de partido. Como se ser político fosse crime. A gente sabe como funciona. Quem pratica crime, quem vem para cima, é a iniciativa privada. É isso que acontece. É a iniciativa privada que corrompe.”, afirmou a deputada.

“E aí eles fizeram isso: não pode ser político. E não pode ter nenhuma decisão que contrarie os interesses econômicos da empresa e dos seus acionistas. Não fala nada de interesse social. Como se uma estatal fosse meramente uma empresa privada”, acrescentou.

Gleisi, que também é presidente nacional do PT, disse concordar com uma eventual alteração na Lei das Estatais – ideia apoiada por aliados do governo de Jair Bolsonaro (PL) e pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, em meio ao aumento no preço dos combustíveis.

A Lei das Estatais foi criada em 2016, na gestão de Michel Temer, e foi elaborada com o objetivo de criar uma proteção entre a política e a governança das empresas.

A CNN procurou a deputada Gleisi Hoffmann sobre a fala e aguarda retorno.

“A Petrobras foi construída com o sangue, suor do povo brasileiro. Ali tem dinheiro público, dinheiro de imposto, tem investimento de Estado. Então, nós concordamos em mudar a Lei das Estatais. Se o Lira quiser trazer a Lei das Estatais [para o plenário], nós concordamos, porque é uma lei que criminaliza a política. Agora eles estão vendo o que fizeram. E não é para indicar político não, é pra parar com essa história”, disse.

A deputada federal ainda afirmou que estatal “é subordinada ao governo”.

“A maioria das ações da Petrobras é do governo. Então, o governo eleito pelo povo, tendo uma linha política, tem que dar a linha para as estatais. E essas empresas têm que ser colocadas a serviço do desenvolvimento, não a serviço de um grupo de sócios minoritários que querem lucro. Cadê o lucro do povo brasileiro? É pagar gasolina cara, diesel caro, gás de cozinha caro. Tá errado, é vergonhoso”, concluiu a petista.

*Publicado por Marcelo Tuvuca

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