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    Lessa disse que testou metralhadora antes de matar Marielle e que projéteis seriam de “fácil resgate”

    Em delação premiada, ex-PM afirma que partes da arma que esqueceu de recolher poderiam ser achadas

    Maria Clara Matosda CNN São Paulo

    Ronnie Lessa, que admitiu ter assassinado a ex-vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson, diz que testou a arma do crime antes dos assassinatos e que os projéteis — parte do cartucho da arma – poderiam ser achados facilmente nas redondezas do local.

    A informação foi compartilhada com a Polícia Federal em 2023 em um acordo de delação premiada no qual Lessa, ex-policial militar, confessou ter assassinado Marielle a pedido dos irmãos Brazão. O sigilo da delação foi retirado nesta sexta-feira (7) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

    A arma usada foi uma submetralhadora MP5. Ela foi testada na área de um motel no Rio de Janeiro, que estava sem funcionar havia quase vinte anos. Marielle e Anderson foram mortos na noite de 14 de março de 2018.

    Lessa relatou ter posicionado a metralhadora em um barranco pequeno e disparado de cinco a seis tiros para testar se o supressor de ruídos estava funcionado e abafando o som. Após os tiros, os projéteis ficaram na terra, e ele disse que não teve a preocupação de recolhê-los. O mesmo aconteceu com os estojos, uma das partes que, assim como os projéteis, compõem o cartucho da arma.

    “É de fácil resgate esses projéteis, e, inclusive, os estojos, é provável que se ache também porque é uma área de mato, então quer dizer, eu não tive a preocupação de catá-los, é muito provável que se ache também”, afirmou ao delegado Guilhermo Catramby, quem conduziu o depoimento.

    O ex-PM delatou os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão como mandantes da morte de Marielle, que também resultou na morte do motorista Anderson Gomes, em 2018.

    Os irmãos, junto ao delegado da Polícia Civil Rivaldo Barbosa, foram presos preventivamente no final de março.

    A CNN entrou em contato com todos os citados, mas não teve retorno de todos até o momento. Em nota, a defesa de Lessa não fez referência ao conteúdo da delação, apenas à transferência para o presídio de Tremembé, em São Paulo.

    Já a defesa de Rivaldo disse que a “disponibilização [da delação] veio tardiamente, mas ainda em tempo para que todos possam ver como Ronnie Lessa mentiu deliberadamente”. “Pior, recebeu um prêmio antes do final da corrida”.

    Procurada pela CNN, a defesa do deputado federal Chiquinho Brazão (Sem partido-RJ) declarou que a delação de Lessa “é uma peça de ficção”.

    “Basta uma análise honesta do processo para perceber que estamos diante de um grande erro”, complementou em nota a defesa do parlamentar.