Líder do governo nega envolvimento em escândalo de emendas

José Guimarães foi mencionado em mensagens interceptadas pela PF em investigação sobre desvio de recurso público

Gabriela Boechat, da CNN, Brasília
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O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), negou nesta quarta-feira (9) qualquer envolvimento em um escândalo de desvio de emendas parlamentares revelado pela PF (Polícia Federal) na terça-feira (8).

Conforme mostrou a CNN, mensagens interceptadas pela PF na investigação sobre os desvios continham menções a Guimarães.

Em nota, o deputado afirma que não enviou emendas para Canindé e Choró, municípios citados na investigação, e afirma que uma “rápida consulta ao Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) mostra esse fato”.

O deputado diz ainda que não é objeto de investigação nem foi alvo de busca e apreensão.

“Tive o nome citado durante conversa de terceiros e isso, nem de longe, denota participação em qualquer organização que usurpa o dinheiro público e prejudica os cearenses”, afirma o líder do governo em nota.

Guimarães de fato não é alvo de investigação. A PF afirma que são necessárias "diligências específicas" — ou seja, uma outra investigação — para esclarecer se houve alguma irregularidade por parte do líder do governo.

As conversas que mencionam Guimarães constam nos autos da operação deflagrada na terça-feira contra um esquema de desvios que tinha como líder o deputado federal Júnior Mano (PSB-CE).

A investigação aponta que o operador da fraude, Carlos Alberto Queiroz, conhecido como Bebeto, oferecia emendas a prefeituras cearenses em troca de uma "comissão" que chegava a 12%.

Em uma das conversas analisadas pela PF, Bebeto cita Guimarães como um dos deputados que teria destinado emendas a municípios do estado, recursos voltados à saúde e a obras de pavimentação.

Em outra mensagem, Bebeto diz ter tomado conhecimento da indicação, também por parte de Guimarães, de R$ 2 milhões em emendas para a Prefeitura de Choró.

A terceira menção ao líder do governo foi feita por uma ex-prefeita de Canindé. Em depoimento à PF, ela disse ter se negado a devolver parte de duas emendas indicadas pelo petista.

A PF localizou menções a outros dois deputados: Eunício Oliveira (MDB-CE), ex-presidente do Senado Federal, e Yuri do Paredão (MDB-CE). As mensagens também serão apuradas.

A operação deflagrada nesta terça pela PF teve Mano como principal alvo — foram feitas buscas em seu gabinete na Câmara dos Deputados e em endereços pessoais no Ceará.

Ao autorizar a operação, o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse que os elementos colhidos até agora apontam para um "complexo esquema" de desvios.

A malversação do uso das emendas incluiria fraudes a licitações, compra de votos e financiamento ilegal de campanhas nas eleições municipais de 2024.

O que dizem os outros citados

Por meio da assessoria, Eunício Oliveira declarou que destina emendas a dezenas de municípios cearenses "de forma transparente e de acordo com a legislação" e que ele não foi notificado sobre as investigações.

"O deputado Eunicio Oliveira destina emendas em dezenas de municípios cearenses, de forma transparente e de acordo com a legislação. Importante salientar que o deputado ainda não foi notificado dessa eventual apuração e que não há solicitação de instauração de inquérito", diz a nota.

Já Yury do Paredão afirmou, por meio da assessoria, que mantém um compromisso com a transparência e o desenvolvimento do Ceará.

"A transparência é um aspecto fundamental na gestão pública, e o fato de todos os recursos estarem disponíveis no Portal da Transferência da Câmara dos Deputados demonstra a seriedade e a responsabilidade com que o deputado Yury conduz suas ações. Sua disposição para esclarecimentos adicionais reforça ainda mais sua postura transparente e comprometida com a população", afirmou.

*Com informações de Luísa Martins