Líder do PT afirma que partido não deverá votar em Maia

Líder do PT na Câmara, Enio Verri (PR) disse que, nas condições de hoje, o partido não votaria em Maia

Fernando Molicada CNN

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A eventual candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à reeleição para a presidência da Câmara dos Deputados deve causar mudanças entre alguns dos partidos que tendem a apoiar seu grupo.

Líder do PT na Câmara, Enio Verri (PR) disse que, nas condições de hoje, o partido não votaria em Maia. Isto, não por ser contra o atual presidente, mas por discordar da possibilidade de reeleição ser aprovada pelo Supremo Tribunal Federal.

Para ele, qualquer mudança no que prevê a Constituição teria que ser decidida pelo Congresso Nacional, e não pela Justiça. Ressaltou que Maia repetiu diversas vezes que não disputaria a reeleição mesmo se autorizado pelo STF.

Verri afirmou que a bancada do PT se manifestou favorável a um acordo com outros partidos de viés conservador para a disputa da Câmara, mas que a decisão só deverá ser tomada na segunda-feira, em reunião do Diretório Nacional da legenda. O partido discute o apoio ao grupo de Maia, mas sua nova candidatura, segundo Verri, atrapalharia o acordo.

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Já o deputado Marcelo Ramos (PL-AM), que desistiu de disputar a indicação para concorrer a presidência pelo grupo de Maia, afirmou que a eventual candidatura de Maia favorecerá a articulação do que chamou de “terceira via”, uma chapa que não esteja fechada nem com o atual presidente nem com o deputado Arthur Lira (PP-AL), do Centrão. Um movimento que, segundo ele, seria puxado por partidos de esquerda.

Professor de direito constitucional, Ramos afirmou que a aprovação da reeleição na Câmara e no Senado mostrará que o país caminha para o que chamou de “ditadura do Judiciário”. “Costumo dizer aos meus alunos que o diferencia ditadura de democracia é que, nesta, ninguém está acima da Constituição”, disse. 

Para ele, o STF, caso confirme a reeleição, mostrará que se considera acima da Constituição, que proíbe essas reeleições. “Isso abriria um precedente. Como, por exemplo, negar lá na frente a possibilidade de um terceiro mandato para o presidente da República?”, questionou.

Já o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, frisou que seu partido é contra a possibilidade de reeleição nas duas casas, mas que isso não o impediria de votar em Rodrigo Maia, caso essa decisão seja aprovada. “Sempre fomos contra a reeleição, mas isso não nos impediu de apoiar a reeleição do Lula”, justificou.

 

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