Líder do PT pede ao STF que Eduardo deponha por live em que ameaça PF

Deputado também reforçou pedido para prisão preventiva do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro

Davi Vittorazzi, da CNN, Brasília
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O líder do PT (Partido dos Trabalhadores) na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), pediu nesta segunda-feira (21) ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) preste depoimento para explicar sobre a live realizada ontem em que ameaça agentes da PF (Polícia Federal).

Além de ser ouvido pela PF, o parlamentar pede que a informação seja anexada ao processo em que Eduardo é investigado e que seja reavaliado o pedido de prisão preventiva contra o deputado do PL. Moraes ainda não proferiu nenhuma decisão sobre as solicitações de prisão já feitas no inquérito.

Durante a transmissão em seu canal no YouTube, Eduardo afirmou iria "se mexer aqui [nos Estados Unidos]" se soubesse que os policiais federais estivessem atuando de forma irregular na investigação contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ontem, também foi a data que se encerrou o prazo de 120 dias do licenciamento do parlamentar.

Eduardo mencionou na transmissão o delegado Fábio Alvarez Shor, responsável por investigações que envolvem o ex-presidente. "Cachorrinho da Polícia Federal que tá me assistindo, deixa eu saber não. Se eu ficar sabendo quem é você... Ah, eu vou me mexer aqui. Pergunta ao tal delegado Fábio Alvarez Shor se ele conhece a gente", afirmou.

O parlamentar ainda disse que "trabalha" para tirar Alexandre de Moraes do STF. O ministro é o relator dos inquéritos envolvendo Eduardo e Jair Bolsonaro e da ação penal do plano de golpe, em que o ex-presidente é réu no Supremo.

"A existência de contínuos episódios de sabotagem à persecução penal por parte de Eduardo Bolsonaro exige que se considere a hipótese de decretação de medidas mais severas, inclusive a prisão preventiva, diante da reiteração delitiva, da continuidade da campanha transnacional de desestabilização institucional e do risco de evasão", justifica Lindbergh.

Segundo o parlamentar petista, a ameaça de Eduardo "não atinge apenas os policiais em si, mas a própria estrutura de apuração da verdade processual — ao indicar que o investigado pretende interferir diretamente na atuação dos órgãos do Estado por meio da intimidação pessoal e pública."

A CNN tenta o contato com a defesa de Eduardo Bolsonaro.

No Supremo, Eduardo é investigado pelos crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.