Líderes veem ameaça de Eduardo com efeito nulo sobre Hugo e Alcolumbre

Eduardo sugeriu que cúpula do Congresso pode sofrer sanções dos EUA

Gabriela Prado, da CNN, Brasília
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Líderes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal avaliam como “nulo” o efeito da ameaça de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) contra os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP).

Nesta sexta-feira (25), o deputado usou as redes sociais para dizer que os Estados Unidos (EUA) poderiam sancionar os Presidentes do Congresso Nacional.

“Ele [Alcolumbre] tem a possibilidade agora de não ser sancionado e não acontecer nada com o visto dele se ele não der respaldo ao regime. E também o Hugo Motta também, porque na Câmara dos Deputados tem a novidade da lei da anistia. Impeachment de ministro fica a cargo da presidência do Senado, anistia fica a cargo do presidente da Câmara. Eu tenho certeza que o Davi Alcolumbre e o Hugo Motta não são iguais ao Alexandre de Moraes", afirmou.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), reforçou o discurso. À CNN, afirmou que tem conversado com Eduardo e que os presidentes do Legislativo foram alertados há meses. “Mas nós vamos trabalhar para evitar”, ponderou.

Aliados de Hugo e Alcolumbre, no entanto, dizem que a cúpula do Congresso é experiente e não deve “entrar na pilha” do filho de Bolsonaro.

O líder do PDT (Partido Democrático Trabalhista), Mário Heringer (MG), chamou o movimento de “desesperado e sem nexo”.

“Os chefes do poder legislativo não pode se submeter a uma chantagem, sob pena de tornar-se refem do chantagista”, completou.

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ), endossou a tese de chantagem.

“Uma ameaça explícita. O efeito vai ser o contrário. Alguém acha q Alcolumbre e Mota vão pautar esse projeto de anistia depois dessa ameaça? Seria desmoralizante”, afirmou.

Recesso parlamentar

Os presidente do Legislativo resistiram a pressão da tentativa da oposição de retornar do recesso.

Tanto Hugo, quanto Alcolumbre reforçaram, por meio de notas, o acordo dos líderes para a continuidade do recesso.

Na Câmara, a oposição tentou convocar uma sessão da Comissão de Segurança Pública para votar uma moção de apoio a Jair Bolsonaro.

O funcionamento do colegiado foi proibido por Hugo. Os oposicionistas acusaram o presidente da Câmara de “censura “.