Lula articula plano de soberania para campanha à reeleição
Ideia é apresentar propostas de infraestrutura que diminuam dependência externa, em um contraponto à direita

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articula um plano com o mote da soberania nacional para a campanha à reeleição deste ano.
Em conversas reservadas, relatadas à CNN, o petista ressaltou que busca um plano de governo com propostas que diminuam a dependência externa do Brasil em segmentos estratégicos.
Em meio a um cenário de enfraquecimento do multilateralismo, a ideia é que o petista aproveite a popularidade do discurso da soberania nacional, surgido no tarifaço de Donald Trump, para propor um plano de infraestrutura e segurança em meio e longo prazos.
A ideia é sugerir investimentos, por exemplo, na exploração mineral, na segurança alimentar, no fortalecimento militar e na independência digital. O discurso será de que o país precisa de uma liderança de pulso firme e de prestígio internacional para evitar uma ofensiva dos Estados Unidos.
O objetivo é, assim, contrapor o presidente petista aos seus adversários de direita, relembrando o papel da família de Jair Bolsonaro durante o tarifaço e a imagem do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com o boné do presidente americano.
Lula tem defendido que um eventual quarto mandato deve ser diferente dos anteriores. A avaliação do petista é de que é necessário deixar uma espécie de legado, ou seja, um projeto nacional.
E que não adianta só lançar programas sociais para transformá-los em vitrines eleitorais. O diagnóstico é de que eles são importantes para reduzir a desigualdade social, mas que é importante avançar em infraestrutura nacional, com um plano de médio e longo prazos.
O programa de reeleição do presidente deve ter a colaboração, entre outros, dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Geraldo Alckmin (Industria e Comércio), Simone Tebet (Planejamento). A ideia é de que ele fique pronto até agosto.
O argumento principal para a defesa de um plano de soberania tem sido a publicação pela Casa Branca da nova estratégia de segurança nacional, que inclui ampliar sua presença militar e influência na América Latina, uma reedição da doutrina do ex-presidente James Monroe.


