Lula busca tempo para sinalizar abertura para negociações, diz Think Policy
Segundo Leonardo Barreto, sócio da Think Policy, ao WW, Lula quer sinalizar abertura para negociações com Trump após as eleições e se afirmar como melhor interlocutor
O telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente americano, Donald Trump, realizado nesta sexta-feira (21), é interpretado por especialistas como parte de uma estratégia política mais ampla do petista. Para Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, ao WW, o objetivo central de Lula é ganhar tempo e adiar eventuais medidas norte-americanas que possam impactar o Brasil.
Estratégia de negociação pós-eleição
Barreto avalia que Lula busca sinalizar a Trump uma disposição para negociações futuras, mas deixa claro que, no momento atual, isso não é viável.
"O presidente Lula busca como objetivo estratégico ganhar tempo, ele busca adiar sempre medidas americanas, talvez sinalize para Trump que está disposto a fazer negociações depois que a eleição passar, mas que agora isso não é possível em razão de um tom eleitoral que já foi adotado", afirmou Barreto.
Barreto ressalta ainda que o telefonema carrega uma mensagem voltada também para o público interno. Ao manter um canal de interlocução aberto com Trump, Lula se apresenta como uma figura com peso político e diplomático, além de demonstrar poder institucional.
Isolamento de Flávio Bolsonaro
Segundo Barreto, nas últimas duas semanas Lula tem intensificado esforços para isolar Flávio Bolsonaro politicamente.
Nesse sentido, o petista teria buscado suporte de diferentes poderes, como a declaração do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e estaria em busca de manifestações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (Republicanos) e, futuramente, do STF (Supremo Tribunal Federal).
"Uma maneira dele mostrar para o Trump que ele ainda é o melhor interlocutor que ele pode ter no Brasil é ele mostrar um Flávio isolado", disse Barreto.
Para o analista, Lula trabalha não apenas para vencer as eleições, mas para criar a percepção de domínio e controle institucional sólido, sem fragilidades ou rachaduras. O objetivo seria não oferecer incentivo para que Trump ou Marco Rubio estimulem uma crise ou um poder alternativo no país.



