Lula contava com fim da sanção contra Moraes desde ligação com Trump

Presidente dos Estados Unidos já dava sinais de que revogaria Magnitsky

Jussara Soares e Débora Bergamasco, da CNN Brasil, Brasília
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O Palácio do Planalto já aguardava a derrubada de sanções de Trump desde a conversa por telefone entre o presidente brasileiro e o norte-americano ocorrida em 2 de dezembro. Fontes ouvidas pela CNN Brasil temiam o impacto econômico que a continuidade das sanções poderia gerar.

A questão teve início quando o filho de Jair Bolsonaro (PL), Eduardo Bolsonaro (PL-SP), articulou nos Estados Unidos a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barsi.

Desde a primeira ligação entre Lula e Trump, o presidente brasileiro já havia mencionado a importância de derrubar sanções políticas contra autoridades brasileiras.

Após esse primeiro contato, a relação entre os dois líderes foi amadurecendo. Durante encontro pessoal na Malásia, no final de outubro, Lula reiterou o pedido para o fim das sanções.

Posteriormente, com a questão aparentemente estagnada, a diplomacia brasileira decidiu solicitar uma nova ligação, que ocorreu em 2 de dezembro, quando Lula estava em Recife.

Argumento econômico foi decisivo

Na conversa de dezembro, Lula utilizou como principal argumento o possível impacto nocivo que as sanções poderiam causar ao sistema financeiro brasileiro. Segundo apuração da CNN Brasil, esse foi o ponto que sensibilizou Trump. A preocupação ia além do caso específico de Moraes, pois já existiam pesquisas e documentação para aplicar a

Lei Magnitsky a outros ministros do Supremo e autoridades dos Poderes Executivo e Legislativo.

O governo brasileiro temia que o cumprimento da lei pelas instituições financeiras que operam no Brasil e no exterior pudesse desestabilizar o sistema financeiro nacional. Diante desse argumento, Trump teria respondido: "Vou cuidar disso e acho que vai dar certo". Desde então, o governo brasileiro manteve o diálogo por outros canais diplomáticos para reforçar a importância da questão.

A Lei Magnitsky permite ao governo americano impor sanções econômicas e restrições de viagens a pessoas acusadas de violações de direitos humanos e corrupção em qualquer parte do mundo.

A aplicação dessas medidas contra um ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro foi vista pelo governo Lula como uma ameaça à estabilidade institucional e financeira do país.