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    Padre Júlio Lancellotti “dedica sua vida a seguir o exemplo de Jesus”, diz Lula

    Religioso seria um dos alvos de CPI proposta por Vereadores de São Paulo para investigar atuação de ONGs

    Lula disse que o Padre Júlio Lancellotti dedica a sua vida para tentar dar um pouco de dignidade, respeito e cidadania às pessoas em situação de rua
    Lula disse que o Padre Júlio Lancellotti dedica a sua vida para tentar dar um pouco de dignidade, respeito e cidadania às pessoas em situação de rua Ricardo Stuckert/PR

    Mariana Albuquerqueda CNN

    Brasíia

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma publicação nas redes sociais, nesta quinta-feira (4), defendendo o padre Júlio Lancellotti, após o religioso ser colocado como um dos alvos de um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de São Paulo.

    Lula deu “graças a Deus” por existirem “figuras como o padre” na cidade, que junto da Diocese de São Paulo, “são essenciais para dar algum amparo a quem mais precisa”.

    Sem citar a CPI, Lula ainda escreveu que o padre “dedica sua vida a seguir o exemplo de Jesus”.

    A primeira-dama Janja da Silva também fez uma postagem afirmando que o padre Lancellotti “ensina diariamente sobre o amor e o cuidado com o próximo e sua dedicação é o maior exemplo da fé cristã”.

    Ministros se posicionam

    O posicionamento do presidente da república ocorre logo após ministros do governo federal saírem em defesa do religioso.

    O ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, publicou em seu perfil que Lancellotti é o “padre dos pobres” e fez associações bíblicas sobre o risco de uma CPI.

    Também pelas redes sociais, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse que uma CPI contra o padre é “inacreditável” e “parece uma tentativa de perseguição a defensores da justiça social”.

    O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta afirmou que o Padre está sendo atacado “por pessoas que não entendem, e muito menos seguem os verdadeiros valores cristãos”.

    A CPI

    O vereador Rubinho Nunes (União Brasil-SP) protocolou um pedido de CPI à Câmara Municipal para apurar a atuação de ONGs na Cracolândia. O padre seria um dos investigados.

    No pedido feito pelo vereador, ele argumenta que as ONGs não estão isentas de fiscalização, já que elas podem receber “financiamento público para realizar suas atividades”.

    Embora o requerimento não cite nenhuma entidade, Nunes disse à CNN que, inicialmente, serão investigadas duas organizações: o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto (Bompar) e a Craco Resiste.

    O vereador acrescentou que, além delas, também devem ser examinadas “todas as outras que atuam ali no centro que, na minha leitura, compõem a máfia que explora a miséria no centro de São Paulo”.

    O parlamentar citou ainda a atuação do padre Júlio Lancellotti. “Ele capitaneia tudo isso, então ele é uma figura que vai ser convocada tão logo a CPI seja instalada”.

    Segundo o presidente da Câmara, Milton Leite (União Brasil), o assunto será tratado em reunião do colégio de líderes na volta do recesso parlamentar, em fevereiro.

    Serão necessárias duas votações em plenário para que ela aconteça. A primeira para que se crie uma nova CPI na Câmara e a segunda, para que esta das ONGs seja a escolhida.

    O que diz o padre Lancellotti

    O padre Júlio Lancellotti disse à CNN que CPIs são “legítimas”, mas que ele não faz parte de nenhuma organização não governamental (ONG).

    “As CPIs são legitimas e prerrogativas dos poderes legislativos”, disse o padre, argumentando também que “as CPIs têm que ter um objetivo delimitado”.

    “E o objetivo dessa (CPI) é a questão da política pública com pessoas dependentes químicas, principalmente em área de cena de uso, que são pessoas em situação de rua. Quem executa essas políticas são OSCs (organizações da sociedade civil) com o poder púbico, e eu não pertenço a nenhuma OSC”, prosseguiu.

    O padre também disse que a “atividade da Pastoral de Rua é uma ação pastoral da Arquidiocese de São Paulo, que por sua vez, não se encontra vinculada de nenhuma forma às atividades que constituem o objetivo do requerimento aprovado para criação da CPI em questão”.

    O que dizem as organizações citadas

    Em nota, o coletivo Craco Resiste também disse que ela não é uma ONG. “Somos um projeto de militância para resistir contra a opressão junto com as pessoas desprotegidas socialmente da região da Cracolândia”.

    “Enxergamos esse tipo de ataque também como uma maneira de tirar o foco da discussão, mantendo aberto o ralo de dinheiro que passa ainda pela violência policial e a suposta repressão ao tráfico”, diz outro trecho do comunicado à imprensa.

    Já o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto comunicou, também através de nota, que o “padre Júlio Lancellotti não é membro associado, conselheiro ou diretor do Centro social Nossa Senhora do Bom Parto, tampouco exerce algum cargo em nossas unidades de atendimento”.