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    Em discurso nos Brics, Lula diz que grupo será mais relevante com novos membros e defende moeda comum

    Presidente brasileiro defendeu "unidade de conta de referência para o comércio" do bloco, "que não substituirá nossas moedas nacionais"

    Léo Lopesda CNN

    em São Paulo

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta terça-feira (22), que os Brics seriam mais relevantes com a entrada de novos membros, e voltou a defender a adoção de uma moeda comum para o comércio entre os países do grupo.

    As declarações foram dadas durante o Fórum Empresarial dos Brics, primeiro evento com os chefes de Estado na 15ª Cúpula dos Brics, que começou nesta terça, em Joanesburgo, na África do Sul.

    Veja também: Brasil condiciona expansão dos Brics ao apoio chinês à entrada no Conselho de Segurança

    “Nossos países, reunidos, representam um terço da economia mundial. Essa relevância vai crescer com a entrada de novos membros plenos e parceiros de diálogo. A colaboração entre o setor público e privado é vital para aproveitar esse potencial e alcançar resultados duradouros”, declarou Lula.

    Ele também destacou o aumento da participação de membros dos Brics no G20: “A partir de dezembro, o Brasil ocupará a presidência do G20. A presença de três membros dos Brics na troika do G20 será uma grande oportunidade para avançarmos temas de interesse do Sul Global.”

    “Já contamos com a participação da África do Sul, mas a representatividade do grupo será ampliada com o ingresso da União Africana e de outros países do continente”, completou.

    Em seu discurso, o presidente brasileiro voltou a defender a adoção de uma moeda comum para o comércio dos Brics.

    “Para que o investimento volte a crescer e gerar desenvolvimento, precisamos garantir mais credibilidade, previsibilidade e estabilidade jurídica para o setor privado. Por essa razão tenho defendido a ideia de adoção de uma unidade de conta de referência para o comércio, que não substituirá nossas moedas nacionais”, disse.

    Na visão de Lula, o dinamismo da economia global está no Sul Global, e os Brics são sua força motriz.

    VÍDEO – Análise: Cúpula dos Brics vai discutir entrada de novos países

    “Segundo o FMI, enquanto os países industrializados devem desacelerar seu crescimento de 2,7%, em 2022, para 1,4% em 2024, o crescimento previsto para os países em desenvolvimento é de 4% neste ano e no próximo. Isso mostra que o dinamismo da economia está no Sul Global e o Brics é sua força motriz”, afirmou.

    Retomando uma questão que também abordou na Cúpula da Amazônia, no início do mês, Lula disse que os Brics não podem aceitar um “neocolonialismo verde”.

    “No plano multilateral, o BRICS se notabilizou por ser uma força que trabalha em prol de um comércio global mais justo, previsível, equitativo. Não podemos aceitar um neocolonialismo verde que impõe barreiras comerciais e medidas discriminatórias, sob o pretexto de proteger o meio ambiente”, declarou.

    Estão presentes no Fórum Empresarial do Brics, além de Lula, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa; o presidente chinês, Xi Jinping; e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.

    O presidente da Rússia, Vladimir Putin, participa de forma remota. A decisão acontece após o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitir, em março, um mandado de prisão contra o líder russo.

    A África do Sul concedeu imunidade diplomática a todos os funcionários presentes à cúpula em agosto, o que daria a oportunidade de Putin ir ao país.

    Cúpula dos Brics

    Começou nesta terça a cúpula dos Brics, em Joanesburgo, na África do Sul, que irá reunir líderes e representantes do Brasil, China, Rússia, Índia, China, além dos anfitriões. Este é o primeiro encontro presencial do grupo desde o início da pandemia de Covid-19.

    O principal tema da cúpula deste ano é a expansão do bloco. A China e a Rússia estão trabalhando com muito afinco para trazer mais países para os Brics.

    A intenção dos chineses é utilizar o grupo ampliado como uma plataforma na sua disputa geopolítica cada vez mais acirrada contra os Estados Unidos.

    Os russos, por suas vez, precisam de mais países amigos em sua zona de influência, especialmente depois das severas sanções impostas pelo ocidente por causa da guerra na Ucrânia.