Lula diz que decidiu ir à cúpula do G7 para "colocar ordem na casa"
Fala se dá dois depois de órgão do governo americano divulgar documento sugerindo mais uma imposição de tarifas aos produtos brasileiros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quarta-feira (3) que decidiu ir à reunião do G7 (bloco formado pelas sete maiores economias do mundo) deste ano. Em 2026, o encontro será realizado entre 15 e 17 de junho, em Évian-les-Bains, na França.
"Eu nem ia no G7, mas agora eu vou [...] É preciso alguém colocar ordem na casa e dar um paradeiro nesse desmonte do multilateralismo", destacou durante reunião ministerial no Palácio do Planalto.
A fala se dá dois depois de órgão do governo americano divulgar documento sugerindo mais uma imposição de tarifas aos produtos brasileiros.
Na segunda-feira (1), o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) propõs a imposição de tarifas de 25% sobre as importações brasileiras. Em documento divulgado na noite desta terça-feira (2), o USTR também propôs a imposição de tarifas adicionais sobre produtos do Brasil e de outras 59 economias que teriam se omitido ao tomar medidas contra o comércio de mercadorias provenientes de trabalho forçado. Sobretaxa poderá ser de 10% a 12,5%.
"O que é importante vocês saberem é que estamos num momento decisivo para que a sociedade brasileira, e até parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país. A nossa luta para o fortalecimento do multiratelarismo. A nossa luta para que esse país não seja tratado em nenhum momento como uma republiqueta insignificante. Nós somos muito grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil essa semana", declarou o petista durante reunião ministerial.
Reunião ministerial
Na reunião minsiterial desta quarta-feira (3), Lula alertou aos minsitros de Estado sobre o ajuste na comunicação do governo em relação ao tarifaço.
"Vocês não podem deixar de dizer isso: Estão tentando trair o brasil por interesses mesquinhos, com interesses rasteiros de uma disputa eleitoral. Não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria, alguém que é capaz de vender o próprio país por interesse mesquinhos", afirmou o presidente.
Segundo Lula, a reunião desta quarta busca alinhar a comunicação do governo em meio a possibilidade de um novo tarifaço e às vésperas do início das restrições eleitorais. O petista pediu aos ministros que "não apresentem nada novo" até fim das eleições.
"Nós temos sete meses antes de terminar o mandato. Temos até dia três de julho para fazermos todas as entregas que temos que fazer, porque depois do dia três de julho não podemos mais fazer convênios com prefeituras, com governos dos estados ou inaugurar obras", alertou o petista.
A partir de 4 de julho, a três meses do primeiro turno das eleições, entram em vigor restrições mais rígidas previstas na legislação para evitar o uso da máquina pública em benefício de candidaturas durante o pleito.
Nesse período, agentes públicos ficam impedidos, por exemplo, de realizar determinadas formas de publicidade institucional, inaugurações com promoção pessoal e anúncios que possam influenciar o eleitorado. As regras têm como objetivo garantir maior equilíbrio na disputa eleitoral e impedir vantagens indevidas a candidatos ligados aos governos em exercício.
"É muito importante que vocês não inaugurem nada sem passar pela Casa Civil. Muitas vezes, a gente fica sabendo de coisas que são inauguradas sem a participação do ministro e a gente não sabe quem está representado o Governo Federal nas entregas. E vocês sabem como é isso na polític: Se não estiver de corpo presente, ninguém de fora vai dizer quem tá fazendo o que nesse país", complementou Lula.


