Lula diz que Eduardo Bolsonaro passa informações erradas a Trump

Presidente afirmou que o líder americano será informado sobre tentativa de golpe no Brasil

Ester Cauany e Maria Clara Matos, da CNN, Brasília e São Paulo
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), envia “informações deformadas e erradas" ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Brasil.

"Acho que o presidente Trump precisa de uma assessoria que mostra um pouco de conhecimento do Brasil. Se montar uma assessoria com o filho do [ex-presidente Jair] Bolsonaro com pessoas ligadas a Bolsonaro, vai ter sempre informações deformadas e erradas", disse nesta terça-feira (12), durante uma entrevista à rádio BandNews FM.

Segundo Lula, a defesa do americano ao ex-presidente no âmbito das investigações da tentativa de golpe de Estado e no julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) também é em função do desconhecimento sobre o país.

"Ele [Trump] pode vir aqui pra fazer palanque pro Bolsonaro, não tenho nenhum problema. Dado concreto é que quem for eleito aqui toma posse. E é importante o presidente Trump saber: eu perdi três eleições. Eu sei perder. Em cada que eu perdi, voltava pra casa pra me preparar pra próxima. Sei perder, não fico com 'denguinho' quando perco. Não fico culpando urna, não fico culpando aniversário".

Em julho, o presidente americano anunciou uma tarifa de 50% sobre importações brasileiras e atribuiu a aplicação da alíquota, que começou a valer na última semana, ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no STF (Supremo Tribunal Federal) e à conduta do ministro Alexandre de Moraes.

Além do tarifaço, o governo dos EUA também justificou a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes à defesa de Bolsonaro.

No comunicado que anunciou a sanção ao magistrado, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que Moraes "assumiu a responsabilidade de ser juiz e júri em uma caça às bruxas ilegal contra cidadãos e empresas americanas e brasileiras”.

“Moraes é responsável por uma campanha opressiva de censura, detenções arbitrárias que violam os direitos humanos e processos politizados — inclusive contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação de hoje deixa claro que o Tesouro continuará a responsabilizar aqueles que ameaçam os interesses dos EUA e as liberdades de nossos cidadãos", adicionou.