Lula é avisado que PEC da Segurança pode ser votada antes da eleição

Aliados do governo articulam votação no Senado e esperam análise da proposta na quinta-feira (15); texto ainda precisa do aval do plenário em dois turnos

Danilo Moliterno e Lorenzo Santiago, da CNN Brasil, Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone com o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), nesta quarta-feira (14) e ouviu que a PEC da Segurança Pública pode ser aprovada no plenário antes do segundo turno das eleições.

O telefonema aconteceu logo após a CCJ aprovar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição). Otto disse a Lula que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), avalia levar o texto ao plenário ainda nesta semana.

Segundo o senador, há a possibilidade de análise da PEC já na quinta-feira (15). Otto relatou ter conversado sobre o assunto com Alcolumbre na terça-feira (13).

"Eu conversei ontem com o presidente Davi Alcolumbre e ele está com toda a boa vontade para que nós possamos, logo depois que aprovarmos o fim da escala 6x1, começarmos a apreciar a PEC da Segurança Pública", disse o presidente da CCJ a jornalistas nesta manhã.

O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), segundo apurou a CNN, recolhe assinaturas para um calendário especial que permita acelerar a tramitação do texto. Uma PEC precisa ter o apoio de ao menos 49 senadores em dois turnos.

O regimento do Senado determina que a proposta tenha cinco sessões para discussões antes do primeiro turno e um intervalo de cinco dias até o segundo turno. O calendário especial dispensaria esse intervalo. Alcolumbre teria sinalizado que pode pautar a PEC, que reforça as atribuições federais na segurança pública, já na quinta-feira.

"Davi [Alcolumbre] conversou comigo ontem e nós poderemos começar até amanhã mesmo já apreciar essa matéria", disse Otto.

A ala petista do Senado avalia que a aprovação do texto daria mais argumentos para Lula especialmente para a sabatina que será realizada no Jornal Nacional nesta quinta. Eles entendem que o o petista poderia usar o espaço para falar sobre a proposta "em primeira mão", logo após a aprovação.

O grupo entende que os debates da Band e da Globo, que serão realizados nas próximas semanas, também serão espaços para que o mandatário explore não só a PEC, mas também o fim da escala de trabalho 6x1.

O texto-base da PEC da Segurança já havia sido aprovado na CCJ em setembro. A comissão concluiu a análise do texto nesta manhã, em sessão de curta duração.

Otto descartou a votação de trechos separados da proposta, os chamados destaques, porque os autores dos pedidos não estavam presentes na reunião. Com isso, o colegiado concluiu a análise da matéria e a proposta poderá então ser encaminhada ao plenário.