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    COP27

    Lula e Haddad vão juntos para COP27, e viagem pode definir futuro político do ex-ministro

    O nome do ex-prefeito para o Ministério da Fazenda, que deve ser recriado a partir de janeiro, foi endossado internamente com mais vigor nos últimos dias por lideranças do PT

    Teo CuryGabriel Hirabahasida CNN

    em Brasília

    A viagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para Sharm el-Sheikh, no Egito, para participar da 27ª Conferência do Clima das Nações Unidas, poderá definir o futuro político de Fernando Haddad (PT) em seu governo. A ida à COP27 será a primeira oportunidade de os políticos conversarem a sós desde o segundo turno das eleições. Apesar das incertezas sobre seu papel na próxima gestão, Haddad é um dos cotados para assumir o Ministério da Fazenda, que deve ser recriado.

    O convite para o ex-ministro integrar a comitiva que acompanhará Lula na viagem ao Egito e, depois, a Portugal foi feito pelo presidente eleito no início desta semana. Haddad viajará no mesmo avião que Lula e a socióloga e futura primeira-dama Rosângela Silva, a Janja. As ex-ministras Marina Silva e Izabella Teixeira, parlamentares e governadores aliados de Lula também estarão na conferência acompanhando Lula.

    O nome de Haddad para o Ministério da Fazenda, que deve ser recriado a partir de janeiro, passou a ser endossado internamente com mais vigor nos últimos dias por lideranças do PT. Parlamentares envolvidos com o processo de transição disseram à CNN, em caráter reservado, que a proximidade do ex-ministro com Lula pode ser um fator determinante para a escolha.

    O nome de Haddad também vem sendo ventilado nas últimas semanas, com mais ou menos força, para outras pastas, como Planejamento, Infraestrutura e Relações Exteriores.

    A viagem para o Egito é vista como uma oportunidade para que Lula e Haddad tenham momentos mais reservados para conversar. O trajeto para o Egito é a primeira delas. Tanto Lula como Haddad não têm o costume de dormir durante viagens de avião – o que permite que despachem e façam reuniões em voos. Os dois não tiveram tempo de se falar de maneira mais demorada desde o dia 30 de outubro, quando Lula venceu Jair Bolsonaro (PL) e Haddad foi derrotado por Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) para o governo do Estado de São Paulo.

    A presença de Haddad no núcleo duro da comitiva de Lula durante a ida ao Egito e a Portugal é vista por pessoas próximas como um sinal de prestígio. É a primeira viagem internacional de Lula desde que venceu as eleições e todos os olhos estarão voltados ao presidente eleito, que tem a preocupação climática no centro das prioridades da agenda internacional de seu governo.

    Apesar de o tema da conferência ser a questão ambiental, com os holofotes direcionados ao presidente eleito, Haddad terá exposição internacional. Na COP27, Lula deve se reunir com o secretário-geral da ONU, António Guterres, o presidente do Egito, Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, e outros líderes estrangeiros.

    Depois da ida ao Egito, Lula fará um giro por Portugal. No país, vai se encontrar com o presidente Marcelo Rebelo e com o primeiro-ministro António Costa. Haddad também acompanhará Lula nessa viagem. A expectativa é a de que seu futuro no governo estará mais perto de ser definido ao chegar ao Brasil.

    Lula não quer antecipar nomes que vão compor seu governo. Apesar de Haddad ser o mais cotado para comandar a Fazenda, há um receio entre integrantes do mercado financeiro com a escolha do ex-ministro. Pesa contra ele, na avaliação de analistas do mercado ouvidos pela CNN, a defesa de mais intervenção do Estado na economia manifestada durante as campanhas de 2018, quando disputou a Presidência, e de 2022, na corrida pelo governo de São Paulo.

    Esses analistas entendem que a escolha de Haddad seria recebida entre os operadores da bolsa de valores de forma pior que a de outros políticos petistas já ventilados para o cargo, como Alexandre Padilha, Rui Costa e Wellington Dias.

    O impacto de uma eventual nomeação de Haddad, no entanto, seria amenizado, na avaliação de analistas do mercado, a depender da escolha dos nomes que integrariam as secretarias do futuro ministério, o que, para eles, também pode demonstrar um aceno à agenda de responsabilidade fiscal defendida pelo establishment econômico.