Eleições 2022

Lula: mais interrogações, menos certezas

Presidente eleito terá a difícil tarefa de unir o Brasil após uma campanha polarizada

Boris Casoy
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  • Danilo M. Yoshioka/Futura Press/Estadão Conteúdo
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O país sai da eleição dividido ao meio. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com sua política do "nós contra eles", diz querer unir país e que não há dois Brasis. Será que ele é o líder capacitado para cumprir essa difícil tarefa?

Não se trata de duvidar da capacidade política do presidente eleito. Mas levar em consideração o peso que representa a corrupção que marcou a presença dos governos petistas no Palacio do Planalto.

A impressão é de que as lideranças petistas gostariam de anestesiar o país para afastar o cálice do Mensalão e outros afins, comprovados por delações e até mesmo pela devolução dos dinheiros públicos rapinados naquele período. O constrangimento exibido por Lula quando a questão da corrupção foi abordada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) o durante os debates eleitorais é suficiente para mostrar a enorme dificuldade em administrar tal assunto.

No ar, há mais interrogações do que certezas.

Que sentido Lula dará à economia brasileira? Será que vai abandonar as desastrosas politicas econômicas que pautaram os governos petistas, quase todas voltadas para o século passado? Será que vai "acabar" com a reforma trabalhista? Será que vai reverter a reforma da Previdência? Será que vai enterrar o teto de gastos?

Será que vai privilegiar novamente empresários amigos, os tais "campeões nacionais"? Como vai cumprir sua promessa de acabar com a fome e o desemprego? Como será realizada essa "política fiscal responsável"? De onde sairá o dinheiro para cumprir todas as suas suas promessas de campanha?

Como serão suas relações com um Congresso, mais à direita supostamente hostil? Sob estreita vigilância, agora vai ser difícil" lubrificar" os interesses político-eleitorais e às vezes as burras de um bom número de políticos. E como vai conduzir suas relações com os estados com governadores de oposição,

Lula alardeia ser o salvador da democracia no Brasil. Mas como bom populista de esquerda, rasga elogios às ditaduras cubana, venezuelana, nicaraguense e chinesa, inimigas dos direitos humanos e da democracia. Vai continuar a política do populista de direita de Bolsonaro, de apoio (fingindo aparente neutralidade) à invasão da Ucrânia pela Rússia? Vai repetir seu projeto censório de "democratização" da imprensa"?

Claro que há ainda muitas interrogações e poucas respostas concretas. Mas, entre essas dúvidas, seria interessante saber como o PT reagirá se as oposições desencadearem comportamentos intransigentes semelhantes aos que o PT adotou durante os governos Michel Temer (MDB) e Bolsonaro.

Apesar de o Brasil ter saído de um governo populista de direita e caído num governo populista de esquerda, a esperança não morre. Tomara que Lula corresponda às esperanças nele depositadas pela metade do eleitorado brasileiro e faça a prometida gestão abrangendo todo o pais.

E que o presidente Bolsonaro promova uma transição civilizada.

*Este texto não representa, necessariamente, a opinião da CNN Brasil