Lula prepara ida à COP31 com relevância de 1ª agenda externa após reeleição
Presidente viaja na próxima segunda-feira (9) para a Turquia, sendo a primeira agenda internacional desde que o petista saiu vitorioso das eleições

No discurso que prepara para a COP31 (Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) irá reforçar a urgência de fortalecer o multilateralismo no combate à mudança do clima, levando em consideração de que a declaração será a primeira a proferir para líderes mundiais após vencer as eleições no Brasil.
Segundo a equipe diplomática do Palácio do Planalto, Lula ainda trabalha no discurso, que será redigido também no contexto de que a COP é tratada como um dos mais importantes foros para a política externa brasileira.
Lula viaja na próxima segunda-feira (9) para Antália, na Turquia. O país irá sediar a conferêcia entre os dias 11 e 12 e receber do Brasil a presidência temporária do evento. A última COP foi realizada em Belém, no Pará, em novembro do ano passado, e foi marcada pela ausência de representantes dos Estados Unidos, mesmo após convite de Lula enviado diretamente a Donald Trump.
O presidente dos EUA, um dos países que mais poluem no mundo, é crítico às energias renováveis e já disse publicamente que as mudanças climáticas são uma "farsa".
Na avaliação de assessores da área internacional do Planalto, diferente da COP30, o "clima" na Turquia será "muito melhor". Isso, por duas razões: a vitória de Lula para mais um mandato e a derrota do governo de Donald Trump com as eleições no parlamento americano que levou o partido Democratas a conquistar maioria do Congresso.
Nesta quinta-feira (5), em evento no Palácio do Planalto, Lula comentou a viagem à COP31 e disse que o Brasil vai ser o país "mais estruturado e mais preparado para falar na proteção de clima". "Porque nós cuidamos", disse.
Lula falou ainda das expectativas do Brasil em apresentar ao líderes mundiais o chamado Mapa do Caminho, documento que reúne diretrizes para afastamento dos combustíveis fósseis e contra o desmatamento.
"Nós prometemos fazer o Mapa do Caminho, vamos chegar lá com o Mapa do Caminho. E nós queremos mostrar pra eles que nós não somos ricos, mas nós queremos servir de exemplo, como uma nação que tem compromisso com o mundo. Não é com o nosso país, é com o mundo", afirmou.
Asean
Após a viagem à Turquia, Lula segue para as Filipinas, onde irá participar da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), na cidade de Manila, programada para acontecer entre os dias 14 e 15.
Lula incluiu na agenda uma visita de Estado, para o dia 13, quando devem ser assinados acordos bilaterais com as Filipinas.
A viagem do presidente à região ocorre após um esforço do governo brasileiro de ampliar negócios com os países que fazem parte do sudeste asiático.
A Asean reúne 11 países: Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Mianmar, Brunei, Camboja, Laos e Timor-Leste, que juntos reúnem um PIB (Produto Interno Bruto) estimado em US$ 4 trilhões. O valor faz do bloco a quinta maior economia do mundo.
Lula retorna ao Brasil no dia 15, com previsão de chegada em Brasília, na manhã do dia 16.


