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    Maia diz que inquérito do STF sobre fake news é fundamental para democracia

    'Não estou olhando eleição, não estou preocupado com 2018. Estou preocupado com 2020, com 2022', disse presidente da Câmara

    O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fala à imprensa
    O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fala à imprensa Foto: CNN (09.jun.2020)

    Noeli Menezes

    Da CNN em Brasília

    No dia em que o STF (Supremo Tribunal Federal) analisa em plenário a validade do inquérito que investiga fake news e ameaças contra ministros da Corte, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez uma defesa da investigação como “fundamental para a nossa democracia”. 

    “É importante o inquérito do Supremo, sempre defendi, desde o primeiro momento, como sempre defendi e continuo defendendo que a CPMI [Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das Fake News] volte a funcionar e cumpra o seu papel”, afirmou nesta quarta-feira (10) em entrevista à Rádio Gaúcha.

    Maia disse que, como conhecedor, como alvo de fake news nos últimos 12 meses, tem certeza de que tanto a CPMI como e inquérito do Supremo têm um papel fundamental para a democracia e o futuro do nosso país.

    Segundo o deputado, existe uma estrutura financiando a desqualificação de pessoas em todos os campos, mas principalmente na política e no Supremo”. “Essa ‘viralização do ódio’ enfraquece o sistema democrático e as instituições”, disse.

    Questionado sobre a possibilidade de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) usar o inquérito do STF na ação contra a chapa que elegeu o presidente Jair Bolsonaro, Maia disse que cabe à justiça julgar o passado. “Não estou olhando eleição, não estou preocupado com 2018. Estou preocupado com 2020, com 2022, com 2026. Precisamos organizar o futuro. E cabe ao Supremo julgar o passado.”

    Maia evitou falar diretamente nos filhos do presidente, que geralmente o criticam nas redes sociais, e não quis responder se já reclamou das postagens com Bolsonaro. “A bolha deles está muito limitada, cada vez mais. Respeito, mas nesse mundo radical você vai cada vez mais se isolando”, disse.

    Questionado sobre possível interferência política na Polícia Federal e vazamento de informações sobre operações contra governadores, Maia disse que acredita ser normal a PF informar o presidente antes da ação, mas que isso não poderia ser repassado a outras pessoas.

    Para ele, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), que antecipou na véspera em entrevista a operação da PF em investigação do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, pode ter recebido a informação de alguém no Planalto.

    “Acho que é natural que uma operação que envolva um governador o presidente da República receba a informação não do conteúdo, mas do que pode acontecer. Certamente entre o diretor da PF, o ministro, o presidente, alguém vazou a informação para deputada. Claro que não é o correto.”

    Questionado se acreditava que realmente houve vazamento, Maia disse que, “se não houve, ela tem bola de cristal. Uma coisa ou outra. Vamos ver.”

    Em sua conta no Twitter, a deputada Carla Zambelli argumentou sobre o comentário de Maia.

    “Muito mais grave do que a possibilidade de eu estar antecipando operações, o que eu não fiz, é o Maia dizer que é “natural” a PF adiantar para o Ministro da Justiça e para o Presidente esse tipo de informação.Eu não sabia das operações específicas. Só sabia que há muito dinheiro público envolvido em vários Estados, principalmente nos que fazem oposição ao presidente. Estou disposta a entregar meu celular e abrir meu sigilo. Pode abrir para ver que eu não tenho essas informações”.

    Cautela com impeachment

    O presidente da Câmara voltou a defender cautela ao analisar pedidos de impeachment de Bolsonaro protocolados na Casa. Mas admitiu que tem sofrido pressões “de todos os lados”. “É claro que me sinto pressionado, tem pressão de todos os lados. Eu recebo e vou filtrando.”

    Ele afirmou que a experiência que teve no governo de Michel Temer, que enfrentou denúncias de corrupção e teve pedidos de investigação analisados pela Câmara, permite que hoje não se deixe influenciar e busque o “caminho do diálogo, do equilíbrio, o caminho democrático”.