Marcelo Ramos e Major Vitor Hugo debatem ida de Bolsonaro a ato pró-intervenção
Ramos (PL-AM) disse que presidente não pode negociar no privado e criticar em público; para Major Vitor Hugo (PSL-GO), Bolsonaro não agrediu poderes

Os deputados federais Marcelo Ramos (PL-AM), vice-líder do maior bloco da Câmara, e Major Vitor Hugo (PSL-GO), líder do governo na Casa, debateram nesta segunda-feira (20) na CNN sobre a participação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em um ato que defendia medidas antidemocráticas neste domingo (19), assim como a relação de Bolsonaro com o Congresso.
Ramos disse ver com bons olhos o movimento do presidente de negociar com partidos do chamado "centrão" para tentar criar uma base aliada no Congresso, mas afirmou que o presidente age diferente nos bastidores e em público.
“É absolutamente legítimo o presidente da República dialogar com partidos. A própria Câmara nunca negou a aprovação rápida de medidas de enfrentamento da crise. O que não se pode fazer é chamar para dialogar no privado e, em público, dizer que não negocia com a 'velha política'”, disse o deputado do PL.
Segundo Ramos, "não é momento de pedir novo AI-5 e fechamento do Congresso e Supremo Tribunal Federal", mas de "orientar os seus para o caminho correto" para "manter a unidade nacional em torno do inimigo comum, o vírus".
Nesta segunda-feira, Bolsonaro defendeu o funcionamento livre do STF e do Congresso. Para Ramos, “se isso tivesse sido dito ontem, alertando para sua militância sobre os perigos de suas reivindicações, estaríamos tranquilos”.
Major Vitor Hugo, por sua vez, disse não ver problema na participação de Bolsonaro nos protestos, já que, segundo ele, “o presidente não convocou para as manifestações”. Segundo o deputado, Bolsonaro foi ao local do ato, em frente ao Quartel-General do Exército, por se tratar do Dia do Exército.
"Vejo como natural o presidente querer prestigiar este dia. De suas falas, não houve agressão aos poderes. Ele apenas reforçou suas práticas e falou de liberdade. Na minha visão, ficou claro que o presidente não tem intenção de flertar com autoritarismo", disse o líder do governo na Câmara.
Major Vitor Hugo rebateu a alegação de que Bolsonaro não estaria exercendo seu papel de líder diante da crise e afirmou que não faltará dinheiro para salvar vidas.
"Tenho visto o presidente engajado com as duas vertentes prioritárias, econômica e sanitária. O ministro Paulo Guedes disse que não faltará recursos para salvar vidas no Brasil", disse.