Master: PF trabalha contra o primeiro andar do crime organizado, diz Andrei
Diretor-geral da PF afastou qualquer ligação da operação com pressões a uma delação de Vorcaro

O diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (8) que a corporação policial trabalha "contra o primeiro andar do crime organizado" no âmbito da operação Compliance Zero.
Andrei foi questionado sobre a operação dessa quinta-feira (7), que teve como um dos alvos o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Foi a primeira vez que a investigação que apura fraudes financeiras do antigo Banco Master chegou ao núcleo político.
"É mais um trabalho que a Polícia Federal cumpre contra o crime organizado, no dito primeiro andar do crime organizado, e nós vamos seguir colhendo provas, fazendo análises e encaminhando ao Poder Judiciário nossas análises", afirmou.
O diretor-geral da PF também afastou qualquer possibilidade de que a realização da operação tenha sido alguma forma de pressão a uma delação mais estruturada de Daniel Vorcaro. Segundo a âncora da CNN Tainá Falcão, a primeira versão de delação apresentada teria sido rejeitada por falta de elementos que conectassem autoridades e operadores financeiros ao esquema do Master.
"Isso não faz parte da estratégia da investigação, da questão técnica e legal que a polícia faz. Nós não fazemos nenhuma ação para pressionar ou deixar de pressionar para obter outro resultado. Então, a delação é um direito do investigado, do réu fazer e, se a defesa dele entender que deva fazer, atendendo aos requisitos técnicos, ela será feita. A apresentação já tem algum tempo, a decisão e o cumprimento foi ontem, então não guarda nenhuma relação um fato com outro", rebateu Andrei.
Operação Compliance Zero
Deflagrada em novembro de 2025, a operação Compliance Zero tem objetivo de investigar os crimes relacionados ao Banco Master, com a finalidade de combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o SFN (Sistema Financeiro Nacional).
A operação foi a responsável pela prisão do dono do Master, Daniel Vorcaro, mirando evitar uma possível fuga do ex-banqueiro.
Houve ainda ordem de bloqueio em contas em R$ 12,2 bilhões, além de apreensões de diversos carros de luxo, obras de arte e relógios.
As investigações tiveram início em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, para investigar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Tais títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.
Já em 2026, a operação prendeu o ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília) Paulo Henrique Costa, suspeito de receber R$ 140 milhões de Vorcaro como propina para viabilizar a compra do Master, e também coordenar uma pressão interna para que acionistas comprassem ações usando verbas vindas do próprio Banco Master.
O Progressistas, partido de Ciro Nogueira, divulgou nota informando que espera que os "fatos ocorridos sejam devidamente esclarecidos, com estrita observância ao amplo direito de defesa e ao devido processo legal".
*Com informações de Rafael Sotero. Sob supervisão de Renata Souza


