Mauro Vieira diz que plataformas não querem seguir leis do Congresso
Ministro declarou ainda que não há intenção de interferir nas leis dos Estados Unidos
O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou, nesta quarta-feira (28), que as plataformas digitais não querem seguir as leis do Congresso Nacional. A declaração ocorreu durante uma audiência na Câmara dos Deputados.
"Essas empresas não querem respeitar as leis brasileiras que são aprovadas nesta Casa, na Câmara e no Senado", afirmou o ministro, que foi convocado para prestar explicações sobre a concessão de asilo diplomático a ex-primeira dama do Peru, Nadine Heredia.
Vieira declarou ainda que não há intenção de interferir nas leis dos Estados Unidos.
"Não houve em nenhum momento intenção de interferência nos assuntos internos americanos, não teria cabimento. Da mesma forma que acho que não tem cabimento nenhuma interferência em qualquer outro país, como dos EUA ao Brasil", afirmou.
Em seguida, o ministro reforçou que a legislação brasileira precisa ser respeitada.
"Jamais houve nenhuma iniciativa para cercear a liberdade de expressão nos EUA. O que tem que se levar em conta é que para que essas manifestações sejam transmitidas no Brasil tem que respeitar a legislação brasileira", disse Vieira.
China e redes sociais
Durante a oitiva, o ministro também destacou que não houve interferência da China nas redes sociais brasileiras, referindo-se as declarações da primeira-dama Janja da Silva em reunião da comitiva brasileira com o presidente da China, Xi Jinping.
De acordo com relatos de pessoas presentes no encontro, Janja teria pedido para falar, destacando que o algoritmo da plataforma estaria favorecendo o avanço da extrema direita no Brasil.
"Sobre a interferência da China nas redes sociais brasileiras, eu queria dizer que não houve. Eu estava presente no jantar em que o presidente se referiu as redes sociais e ao perigo das redes sociais e pediu a primeira-dama que dissesse o que ela achava", disse Vieira.
"A única preocupação expressada foi com referência ao perigo, ao risco, como eu disse no início, do uso das redes sociais para divulgar os desafios que levou a morte de uma menina de 8 anos há pouco mais de um mês aqui em Brasília e também a divulgação de pornografia infantil e tipos de matéria que põe em risco os jovens", prosseguiu.
"Não houve nenhum pedido, nenhuma proposta de conferência, pedido de vinda ao Brasil de funcionários para tratar o tema, só se mencionou que a questão das plataformas tem que ser levada em conta porque há riscos enormes para a sociedade", finalizou.


