Mendes critica Big Techs e cita "tecnofeudalismo" e "servos digitais"

XIV Fórum de Lisboa, organizado pelo decano do STF Gilmar Mendes, teve número reduzido de autoridades em comparação com anos anteriores

Américo Martins, da CNN Brasil, Rafael Sotero, colaboração para a CNN Brasil, Lisboa e São Paulo
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Durante a abertura do XIV Fórum de Lisboa, nesta segunda-feira (1º), o ministro do STF ( Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, idealizador do evento, criticou o papel das Big Techs na sociedade contemporânea, com o que chamou de "tecnofeudalismo" com "cidadão como servos digitais".

O encontro, que acontece anualmente desde 2013, conhecido como “Gilmarpalooza” - em referência ao festival de música Lollapalooza, conta com um menor número de autoridades participantes em relação aos anos anteriores. Compareceram ao fórum apenas dois ministros do Supremo, o vice-presidente da Corte Alexandre de Moraes e o próprio Gilmar Mendes.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), optou por não ir ao evento na capital portuguesa, pois participará de uma solenidade do governo federal em Macapá, no Amapá, seu reduto eleitoral. Outro desfalque é o ministro do Supremo Flávio Dino, que, de acordo com sua assessoria, sofreu uma fratura e rompeu um ligamento do pé. Por conta disso, recebeu recomendação médica para evitar viagens longas.

Estiveram presentes o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), o vice-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Luis Felipe Salomão, o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Beto Simonetti, o presidente da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Carlos Ivan Simonsen Leal, dentre outras autoridades brasileiras e do setor jurídico português.

Fala de Gilmar sobre Big Techs

Em seu discurso de abertura da edição, cujo tema é "Nova Ordem Internacional, Tecnologia e Soberania: Desafios Democráticos, Econômicos e Sociais", Gilmar Mendes criticou o que chamou de tecnofeudalismo. "O capitalismo convencional cedeu lugar na contemporaneidade a uma nova ordem, o tecnofeudalismo. Nessa configuração, o poder não se estabelece mais pela livre concorrência entre capitais, mas pelo domínio absoluto exercido pelas plataformas digitais, que monopolizam a atenção coletiva, ditam comportamentos e extraem rendas tanto de usuários quanto de empreendedores", afirmou o ministro.

"Os cidadãos assumem a condição de servos digitais. As empresas pagam taxas para operar nas plataformas administradas pelos novos 'senhores da terra', as Big Techs, que hoje pretendem subjugar e ver curvados diante de si os próprios Estados", completou Mendes.

O debate ocorre em meio à um entrave gerado pela sanção do decreto das Big Techs pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que atualiza a regulamentação do Marco Civil da Internet visando fortalecer a prevenção e o enfrentamento de fraudes, golpes e atos criminosos nas plataformas digitais. No entanto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) avalia suspender o decreto por "extrapolar prerrogativas do Executivo federal", uma vez que a medida vêm por decreto e não tramitou como uma Lei.

Em sua fala na mesa de abertura, Motta comentou sobre avançar o projeto que regulamenta a IA (Inteligência Artificial) no Brasil. "Estamos discutindo o Marco Legal para que a tecnologia revolucionária da inteligência artificial prospere no Brasil como ferramenta para o progesso geral e com respeito às liberdades de nossos cidadãos", disse. Recentemente, o deputado afirmou considerar a pauta uma das próximas prioridades do parlamento. Segundo ele, a nova data para a apresentação do parecer do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) é 9 de junho.