Mesmo com o fim da CPMI do INSS, caso Master segue na mira de senadores

Encerramento da comissão sem relatório final não deve interromper articulações por novas frentes de investigação no Congresso

Emilly Behnke e Mateus Salomão, da CNN Brasil, Brasília
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O encerramento da CPMI do INSS sem aprovação de um relatório final não deve reduzir o interesse de parlamentares nas apurações da fraude financeira envolvendo o Banco Master e as denúncias contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A comissão de inquérito mirava investigar o caso a partir de possíveis irregularidades envolvendo empréstimos consignados.

Agora, congressistas articulam a continuidade das investigações em duas frentes. Em uma delas, a CPI do Crime Organizado do Senado deve analisar requerimentos relacionados ao caso nesta terça-feira (31).

O colegiado pautou pedidos de convocação dos ex-governadores Ibaneis Rocha (MDB-DF) e Cláudio Castro (PL-RJ), além de solicitação de informações ao Banco Central e um pedido de convocação de um ex-servidor da autoridade monetária.

A CPI espera ouvir nesta manhã o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto, mas sua presença ainda não está confirmada. Na quarta-feira (1°), a comissão tem prevista a oitiva de Ricardo Saadi, presidente do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Na Casa, a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) também acompanha o caso do Master por meio de um grupo de trabalho. O presidente do colegiado e coordenador do grupo, senador Renan Calheiros (MDB-AL), já apresentou três projetos de lei que miram novas regras ao sistema financeiro para evitar casos como o do Master.

Uma das propostas prevê novas regras para o uso do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Como a CNN mostrou, as liquidações do Master e de instituições ligadas ao conglomerado já somam custo de R$ 51,8 bilhões ao FGC.

Outra proposta aumenta o controle e a fiscalização sobre a venda de títulos bancários em plataformas de investimento. O terceiro projeto altera o Código Penal para endurecer as punições para fraudes, com até 12 anos de prisão.

Parlamentares também aguardam decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre pedido que busca obrigar o Senado a instalar uma CPI específica para apurar o caso Master. O pedido está sob a relatoria do ministro Nunes Marques.

Os senadores lançaram mão de um mandado de segurança para pedir a instalação e contam com um importante precedente na Corte. Em 2021, Luís Roberto Barroso determinou que o Senado instalasse uma CPI para investigar as eventuais omissões do governo de Jair Bolsonaro no enfrentamento à pandemia de Covid-19.

Os senadores, na petição remetida ao STF, alegam que o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP) tem se mantido em “estado de reiterada inércia”. “Essa omissão deliberada obsta, de forma inconstitucional, o exercício de um dos mais relevantes instrumentos de controle à disposição da minoria parlamentar”, defendem.

Recentemente, o ministro Cristiano Zanin negou mandado de segurança para a instalação da CPI do Master na Câmara dos Deputados. Os senadores, no entanto, sustentam que as situações expostas são distintas.