Mesmo confiante com aprovação de reestruturação dos ministérios, governo Lula monta plano B
Proposta alternativa seria enviar um projeto de lei com urgência constitucional para tentar amenizar os danos que seriam provocados com a perda de vigência da atual estrutura ministerial

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confia na aprovação da medida provisória da reestruturação dos ministérios, mas já trabalha com um plano B para o caso da MP ser derrotada no Congresso Nacional, segundo fontes do Palácio do Planalto ouvidas pela CNN.
O plano B seria enviar um projeto de lei com urgência constitucional para tentar amenizar os danos que seriam provocados com a perda de vigência da atual estrutura ministerial.
O plano é visto como improvável e indesejável, segundo as fontes do Planalto, mas já vem sendo trabalhado internamente por garantia. O gesto também tem o objetivo de mostrar ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que o governo não topará tudo o que for proposto pelos deputados para garantir a aprovação da MP no Congresso.
O desenho do plano B é visto internamente no governo como uma derrota, mas como um passo necessário para evitar que o Planalto fique refém de todas as demandas feitas pelos parlamentares. Integrantes do governo acreditam que o Executivo não pode simplesmente dar um cheque em branco ao Congresso para garantir o desenho da Esplanada proposto pelo presidente Lula.
No entendimento de integrantes do governo, o Planalto precisa se esforçar para garantir a votação e, caso a MP não seja votada (ou seja, derrotada), deixar claro quem foi o responsável por isso.
Esta quarta-feira (31) está sendo um dia repleto de tensões na cúpula do poder em Brasília, com “bombeiros” entrando em ação tanto do lado do Executivo quanto do Legislativo.
Deputados das mais diversas siglas deflagraram um movimento de expor publicamente críticas em relação à condução da articulação política do governo, que fica, majoritariamente, sob a responsabilidade do ministro Alexandre Padilha (Secretaria de Relações Institucionais).
Líderes governistas iniciaram um movimento para tentar acalmar os ânimos entre os deputados e tentar garantir a aprovação da medida provisória que redesenha a Esplanada. Seria um último gesto do Congresso ao Executivo, mesmo diante das insatisfações presentes, de acordo com líderes governistas.
As principais críticas envolvem o represamento de emendas parlamentares, a demora na nomeação de indicados no segundo e no terceiro escalão do governo, a falta de negociação por parte do governo no anúncio de ações regionais e viagens aos estados.


