Messias foi citado em conversa entre Dilma e Lula em 2016 como "Bessias"
Na época, indicado por Lula ao STF atuava como subchefe para Assuntos Jurídicos da então presidente Dilma Rousseff

Indicado ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quinta-feira (20), Jorge Messias ganhou notoriedade após ser citado em conversa telefônica entre o hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a então ocupante do cargo, Dilma Rousseff (PT), em 2016.
Em 16 de março de 2016, em meio às investigações da Operação Lava Jato, o então juiz Sergio Moro derrubou o sigilo de uma ligação de Dilma com Lula, alvo de interceptação pela PF (Polícia Federal).
A ligação havia ocorrido naquele mesmo dia, horas após o anúncio de que Lula ocuparia a Casa Civil de Dilma, enquanto avançava não apenas a Lava Jato, mas o processo de impeachment que acabaria por destituir Dilma do cargo.
Na conversa, ambos tratavam do termo de posse para Lula assumir a Casa Civil:
Dilma: Seguinte, eu tô mandando o Bessias junto com o papel, para a gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?
Lula: Uhum, tá bom, tá bom.
Dilma: Só isso. Você espera aí que ele tá indo aí.
Lula: Tá bom, eu tô aqui, eu fico aguardando.
Dilma: Tá?
Lula: Tá bom.
Dilma: Tchau.
Lula: Tchau, querida.
Messias era, na época, subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência da República; hoje, no terceiro mandato de Lula na Presidência, chefia a AGU (Advocacia-Geral da União).
Um dia depois da divulgação dos áudios, Lula chegou a participar de cerimônia para tomar posse na Casa Civil. Porém, em 18 de março de 2016, o STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu a nomeação, em decisão liminar emitida por Gilmar Mendes.
Na época, a interpretação da Justiça foi de que a nomeação visaria transferir os processos sobre Lula na Lava Jato que corriam na 13ª Vara Federal de Curitiba para o próprio Supremo, devido à prerrogativa do foro a ministros de Estado.
Meses depois, o ministro Teori Zavascki, então relator da Lava Jato no Supremo, considerou o grampo e sua divulgação atos irregulares e impediu o uso da gravação como elemento probatório.
Anos depois, em 2021, o STF anulou condenações contra Lula na Lava Jato, reconhecendo que os processos deveriam ter tramitado em Brasília, e não na Vara Federal de Curitiba.
*Publicado por Gabriela Piva



