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    Militares do GSI não tomaram medidas para impedir atos do dia 8, diz especialista

    Lula está reunido com os comandantes-gerais do Exército, Aeronáutica e Marinha nesta sexta-feira (20), e tentar melhorar sua relação com os militares

    Fernanda PinottiThiago Félixda CNN em São Paulo

    O especialista em defesa e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Francisco Carlos Teixeira da Silva falou, em entrevista á CNN, sobre a tensão entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e as Forças Armadas.

    Segundo ele, não foi apenas a Polícia Militar (PM) que falhou em controlar os manifestantes no dia 8, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) também não tomou as medidas necessárias.

    Lula está reunido com os comandantes-gerais do Exército, Aeronáutica e Marinha nesta sexta-feira (20). Cerca de 140 militares foram afastados de seus postos desde Lula assumiu. Ele declarou que não tem confiança nesses militares e, portanto, não poderia continuar trabalhando com eles.

    Teixeira explicou que os militares também são cidadãos e, por isso, tem direito a ter opiniões e posturas políticas, mas não podem expor essas opiniões em qualquer momento.

    “Tudo depende do ambiente e da situação. Os militares não podem fazê-lo em público, nem fardados ou usando seu título. Isso prevê punição pelo regulamento do exército.”

    Ele disse que há duas situações críticas envolvendo a falha de atuação dos militares no ataque aos Três Poderes do dia 8 de janeiro: a atuação da Polícia Militar (PM), que deveria ter controlado o acesso dos manifestantes à Praça dos Três Poderes; e a atuação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e do Batalhão da Guarda Presidencial, responsáveis por proteger o Palácio do Planalto.

    “A questão é se [a atuação do GSI e do Batalhão da Guarda Presidencial] também será examinada, assim como a da PM está sendo”, disse.

    Para Teixeira, “o que temos que saber é se houve falha de inteligência ou se os dirigentes se negaram a tomar alguma providência por simpatia ideológica”.

    Ele também citou a presença de militares da ativa nos acampamentos bolsonaristas em frente aos quartéis-generais do Exército, o que representaria uma grave violação do regulamento.

    E citou o depoimento de Ibaneis Rocha, governador afastado do Distrito Federal, que disse que o Exército impediu a desmontagem das barracas nesses acampamentos. “Isso deve ser esclarecido pelo comandante do Exército”, disse.

    Ele disse que parece haver duas correntes no governo federal nesse momento. A primeira, representada por José Múcio Monteiro, ministro da Defesa, não quer se aprofundar nesses pontos e quer que a tensão com as Forças Armadas seja resolvida de forma rápida. A outra corrente quer que ocorra um aprofundamento sobre as manifestações consideradas golpistas dentro das Forças.

    O especialista também disse que, durante a reunião desta sexta, Lula – que declarou nesta semana não ter confiança nas Forças Armadas – deve tentar melhorar a relação com os militares. Isso explica a presença do presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, no evento.

    Teixeira disse que a proposta de pacificação deve vir através de conversas sobre a Base Industrial de Defesa (BID), que representa empresas investidas em pesquisa, desenvolvimento, produção, distribuição de produtos estratégicos de defesa.

    “A ideia é construir dentro do Brasil equipamento militar de ótima qualidade, o que seria bom para a economia e bom para as Forças Armadas”, explicou.