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    Ministério da Saúde prepara resposta sobre cloroquina e tratamento precoce à CPI

    A documentação da resposta ministerial subsidiará os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia

    José Brito e Marcos Guedes, da CNN, em São Paulo

     

    A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tem até a próxima quinta-feira (6) para responder a um pedido feito pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) ao Ministério da Saúde e a outros órgãos, em que são solicitadas informações e documentos sobre produção e distribuição de cloroquina e de tratamento precoce contra a Covid-19. 

    O ofício em caráter de urgência foi encaminhado pela Assessoria Parlamentar do gabinete do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, no final da noite do último sábado (1º), à presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima. 

    A documentação da resposta ministerial subsidiará os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, criada pelo Senado para apurar as ações e possíveis omissões do governo federal no enfrentamento da doença. 

     

    Entre as justificativas para o requerimento feito no dia 19 de abril, Randolfe Rodrigues diz que o país é visto como uma ameaça sanitária pelo mundo e que só foi possível chegar a essa situação catastrófica por conta dos inúmeros e sucessivos erros e omissões do governo no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no Brasil.

    “Presenciamos o colapso dos sistemas de saúde pelo país – sem vagas nos hospitais para os doentes, pacientes sendo atendidos em corredores. Os sistemas funerários do país não conseguem lidar com os altíssimos números de mortos. Presenciamos a falta de oxigênio, especialmente no estado do Amazonas. Há falta de medicamentos básicos, como sedativos para a intubação dos pacientes, enquanto sobram medicamentos sem nenhuma comprovação científica”, diz o senador.

    Além do Ministério da Saúde, o requerimento do Senado – a que a CNN teve acesso – também foi encaminhado ao Departamento de Assistência Farmacêutica, à Secretaria de Vigilância em Saúde, ao Comando do Exército, ao Laboratório Farmacêutico do Exército e ao Departamento de Logística. O objetivo é obter contratos e termos de cooperação, relativos à produção e distribuição relacionados aos medicamentos.

    A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, do Ministério da Saúde, Mayra Isabel Correia Pinheiro, precisará explicar o que teria a motivado a recomendar o tratamento precoce, na cidade de Manaus. E o Ministério da Defesa sobre a responsabilidade pela solicitação de produção de cloroquina e hidroxicloroquina à pasta.

    Já a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) responderá sobre a quantidade de medicamentos do kit tratamento precoce que foram comercializados antes e durante o período da pandemia nas farmácias comerciais. 

    A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) deverá encaminhar todos os documentos, incluindo a íntegra das atas, relacionados às reuniões do órgão, desde março de 2020 até o presente momento. 

    Procurada pela reportagem, a Fiocruz informou que “as informações solicitadas serão encaminhadas aos demandantes. E até o momento não há previsão de nenhuma nota ou pronunciamentos a respeito”. A CNN aguarda uma posição do Ministério da Saúde sobre a resposta ao Senado.

    Na rota da cloroquina

    A CNN revelou, em setembro do ano passado, que o Exército pagou preços superfaturados em insumos para a fabricação da cloroquina,não contestou formalmente esse aumento do valor da compra e só cobrou explicações por escrito à empresa depois da negociação, já finalizada, ter virado alvo de uma investigação no Tribunal de Contas da União (TCU).  

    Entre setembro de 2020 e janeiro de 2021, o governo federal distribuiu 482 mil doses de hidroxicloroquina financiada pelo fundo de combate à pandemia para tratar pacientes com Covid-19. A informação foi confirmada pelo Exército brasileiro à CNN, em fevereiro. 

    Pílulas de hidroxicloroquina
    Para SBP, prescrição de cloroquina e hidroxicloroquina para crianças e adolescentes é inadequada em razão da falta de evidências consistentes
    Foto: George Frey – 27.mai.2020 / Reuters