Molica: Alexandre de Moraes pressiona Bolsonaro após críticas às urnas eletrônicas

No quadro Liberdade de Opinião desta terça-feira (15), comentarista analisa prazo dado por ministro do Supremo para PGR se manifestar sobre relatório da Polícia Federal

Murillo Ferrari, da CNN, Em São Paulo
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No quadro Liberdade de Opinião desta terça-feira (15), o comentarista Fernando Molica analisa o prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre relatório da Polícia Federal (PF).

No documento citado por Moraes, a PF afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (PL) teve uma atuação “direta e relevante” na disseminação de notícias falsas sobre as urnas eletrônicas usadas no sistema eleitoral brasileiro.

“Essas atitudes de Moraes têm um foco: pressão sobre o presidente Bolsonaro. A rapidez com que ele despacha, a eficiência com a qual sai disparando petição, como sai compartilhando as provas, tem objetivo de pressionar o presidente”, disse Molica.

Para o comentarista, a razão dessa pressão é o fato de o presidente levantar suspeitas sem provas sobre o processo eleitoral e a urna eletrônica.

“De vez em quando o presidente para um pouquinho, espera uns meses e, aí, volta, faz de novo um ataque. Isso é complicado, é um processo delicado, que lá na frente poderá viabilizar um questionamento das eleições, do resultado da eleição”, continuou Molica.

Molica também comentou a autorização dada por Moraes para o compartilhamento do conteúdo de uma petição contra o presidente no STF destinada a apurar a disseminação de notícias falsas sobre processo eleitoral com o inquérito das milícias digitais.

“Ao enviar para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aí a estratégia é outra, mas também na lógica da pressão. O TSE abriu um inquérito administrativo para apurar as acusações e fake news em torno de urnas eletrônicas”, afirmou Molica.

“Esse processo no TSE será aberto. Outros partidos, adversários de Bolsonaro, terão acesso a tudo que está escrito ali, a todas as acusações e poderão usar esse inquérito para pedir cancelamento [do registro] de Bolsonaro nas eleições [de 2022].

Viagem de Bolsonaro à Rússia

Nos dias que antecederam a viagem do presidente Bolsonaro à Rússia, os Estados Unidos pediram que o governo brasileiro defenda "princípios democráticos" e uma "ordem baseada em regras" em Moscou. A informação foi confirmada à CNN por uma fonte do Departamento de Estado norte-americano.

A avaliação dos Estados Unidos é de que o país e o Brasil possuem a responsabilidade de defender estes preceitos. Também foi reforçado que Washington apoia a soberania e integridade territorial da Ucrânia, e está disposto a trabalhar com aliados e parceiros para impor consequências rápidas e severas à Rússia em caso de escalada nas tensões.

No Itamaraty, a avaliação é a de que vale a mensagem transmitida pelo embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), de que é preciso diminuir as tensões e recorrer aos canais diplomáticos.

Eleição de Lula

Um grupo de políticos, artistas e empresários assinou um manifesto defendendo a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda em primeiro turno.

De acordo com informações da âncora da CNN Daniela Lima, o apoio a Lula vem, inclusive, de notórios não petistas. O movimento batizado de "Lula no primeiro" conta até mesmo com o apoio de lavajatistas que se tornaram conhecidos por irem às ruas defender a prisão do ex-presidente e o impeachment de Dilma Rousseff.

O manifesto é encabeçado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Integrantes do grupo afirmam que "mais do que eleger um presidente, em 2022 o Brasil fará plebiscito entre continuar o desastre ou retomar a estabilidade democrática-institucional".

Proibição do Disque 100 contra vacinas

O ministro do STF Ricardo Lewandowski determinou que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos não disponibilize o Disque 100 para o atendimento de pessoas contrárias à obrigatoriedade da vacinação contra a Covid-19.

O ministro determinou também que a pasta comandada por Damares Alves e o Ministério da Saúde deixem claro, por meio de notas técnicas, o entendimento firmado pelo STF de que é possível estabelecer medidas restritivas para aqueles que decidirem não se vacinar contra o coronavírus.

A determinação de Lewandowski veio após um pedido apresentado pela Rede Sustentabilidade na semana passada. Na decisão, o ministro disse que cabe ao governo federal disponibilizar vacinas contra o coronavírus e estimular a imunização da população – e não adotar medidas que possam servir para desincentivar que as pessoas se vacinem.

O Liberdade de Opinião teve a participação de Fernando Molica e Boris Casoy. O quadro vai ao ar diariamente na CNN.

As opiniões expressas nesta publicação não refletem, necessariamente, o posicionamento da CNN ou seus funcionários.