Momento de pauta-bomba não poderia ser pior, diz Tebet à CNN
Ex-ministra defende diálogo entre Lula e Davi Alcolumbre para "aparar as arestas"

A ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB) criticou a aprovação no Senado de projetos com custo bilionário nesta semana. Em entrevista à CNN, nesta quinta-feira (11), Tebet disse que "momento não podia ser pior", afirmando que os textos aprovados não deixam claro a fonte de saída dos recursos.
Entre as matérias aprovadas estão o aumento do piso salarial de médicos e dentistas e a aposentadoria especial para agentes de saúde e de combate às endemias. O Executivo também inclui no pacote das chamadas "pautas-bomba" a renegociação de dívidas rurais.
"Em relação às pautas-bomba, [...] o momento não podia ser pior, porque estamos à véspera de uma eleição, não sei nem se esse é o melhor projeto para o agro e por uma razão: porque não trouxe de uma forma muito clara de onde vai sair esse dinheiro para compensar", afirmou Tebet à CNN.
A ex-ministra ainda defendeu que a verba seja compensada por um menor volume de emendas parlamentares. "Se o Congresso entende que é o momento, que isso é urgente, que tire daquilo que não é tão importante, e que inclusive é uma excrescência. Não sou contra emendas parlamentares mas não nessa grandeza a ponto de engessar o orçamento brasileiro", disse.
Tebet ainda comentou sobre a tentativa de reaproximação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que vivem entrave sobre a tramitação do fim da jornada 6x1.
"Conheço o temperamento e a personalidade dos dois. Alcolumbre pode ter todos os seus defeitos, como toda pessoa tem, mas ele é um homem de diálogo, ele é de bom senso, ele nunca se negou e não acredito que vai se negar a conversar com o presidente Lula e aparar as arestas pelo bem do país. Acho que o diálogo vai acontecer, conheço o Davi Alcolumbre muito bem", afirmou a ex-ministra.
Quais são as "pautas-bomba"?
Três principais projetos estão sendo classificados pelo governo como "pautas-bomba". O primeiro deles é o PL de renegociação de dívidas rurais, que cria uma linha especial para produtores afetados por eventos climáticos e dificuldades econômicas.
Como o texto sofreu alterações no Senado, ele precisará retornar à Câmara dos Deputados antes de seguir para sanção. A equipe econômica estima um impacto de até R$ 140 bilhões para o Tesouro Nacional.
O segundo projeto trata do aumento do piso salarial de médicos e dentistas, aprovado na Comissão de Assuntos Sociais do Senado. O valor passou de R$ 3.636 para R$ 13.662 para uma jornada de 20 horas semanais. A proposta segue para a Câmara dos Deputados caso não haja recurso apresentado no plenário do Senado.
Já o terceiro projeto é uma PEC que reduz a idade mínima de aposentadoria para agentes de saúde, aprovada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça): 57 anos para mulheres e 60 anos para homens, com 25 anos de contribuição. O impacto estimado pelo Ministério da Previdência é de cerca de R$ 99 bilhões para a União, estados e municípios.


